Mostrando postagens com marcador Hidrelétricas: Complexo Tapajós. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hidrelétricas: Complexo Tapajós. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Estudo ambiental da UHE São Luiz do Tapajós foi entregue ao Ibama

A pressão sobre o Rio Tapajós e seu povo vai aumentar. Estudos entregues, em breve haverá as audiências, com leilão previsto para o fim do ano.

Fonte: http://telmadmonteiro.blogspot.com.br/2014/08/estudo-ambiental-da-uhe-sao-luiz-do.html

Espero que esse governo sucumba e permaneça no umbral para purgar seus pecados. Ele não vai dar trégua à Amazônia. Ontem a o Ibama recebeu da Eletrobras o EIA/RIMA - Estudo de Impacto Ambiental e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental da UHE São Luiz do Tapajós. Em paralelo o Ministério do Meio Ambiente vai rever o processo de licenciamento ambiental de obras de infraestrutura. Motivo: facilitar e reduzir as manifestações e exigências de instituições como Funai, Iphan. O MMA pretende editar uma portaria que transformará, por exemplo, o licenciamento ambiental das usinas previstas no Tapajós em uma praxe menos, digamos assim, exigente. E a UHE São Luiz do Tapajós terá uma licença "express" para que seja leiloada ainda neste ano de 2014. Afinal em que tempos estamos vivendo no Brasil? (Telma Monteiro)

"UHE São Luiz dos Tapajós poderá ter 8.040 MW, segundo Rima
Usina terá 4.012 MW médios de energia firme. Está prevista a remoção de 1,1 mil pessoas"


Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Planejamento e Expansão
04/08/2014 - 18:26h

A hidrelétrica São Luiz dos Tapajós poderá ter potência de 8.040 MW de potência total, tendo uma energia firme de 4.012 MW médios. A usina será dividida em duas casas de forças, a principal com 36 turbinas de 215 MW - somando 7.740 MW - e a complementar com duas turinas de 150 MW. A casa de força complementar poderá aproveitar a vazão mínima de 1.068 metros cúbicos por segundo a ser mantida no trecho de vazão remanescente.

Segundo o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), a usina será de operação a fio d'água, na cota 50 metros. O reservatório ocupará uma área de 729 quilômetros quadrados, dos quais 353 km² correspondem à área do próprio rio. Assim, a área efetivamente inundada será de 376 km². A barragem terá 7.608 metros de extensão total e topo com 10 metros e largura na cota 53 metros. O vertedouro terá 18 comportas de 18,5 metros de largura e 20 metros de altura, tendo um comprimento total de 434 metros.

O eixo da barragem da usina se localizará abaixo do Canal das Cruzes e a dois quilômetros da Ilha Pimental. De acordo com o Rima, a alternativa reúne as principais vantagens ambientais em relação as outras estudadas e um custo de geração de energia 11,5% menor. Segundo o documento, o deslocamento da população da Vila Pimental poderia ser feito em prazo de 24 meses após a obtenção da licença de instalação, "permitindo que a população possa ser deslocada de forma adequada, com menores impactos socioeconômicos". A usina, fica entre os municípios de Itaituba e Trairão, no oeste do Pará.

A expectativa é de remoção de 1,1 mil pessoas, não só em Vila Pimental, mas em outras comunidades vizinhas. A previsão é a configuração tenha menor impacto sobre as características naturais dos ambientes de corredeiras. Estão na área influência direta da usina o Parque Nacional da Amazônia e as Florestas Nacionais Itaituba I e II.

Serão empregados cerca de 13 mil pessoas no momento de maior intensidade de atividades. O projeto não prevê a construção de vila residencial, prevendo-se trabalho em turnos e o pessoal alojado em acampamento principal, localizado na margem direito do rio Tapajós, junto a obra. Estão previstos 66 meses de obras até o início do enchimento do reservatório. Para acessar o Rima, clique aqui."

Usina de Tapajós vai inundar reserva de ouro

Fonte: http://brasileconomico.ig.com.br/brasil/economia/2014-08-05/usina-de-tapajos-vai-inundar-reserva-de-ouro.html
Além dos conflitos socioambientais, o projeto da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, no município paraense de Itaituba, enfrentará disputa com o setor de mineração de ouro. Segundo o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da obra, o empreendimento terá impacto direto em garimpos regulares na região. Alguns deles, diz o texto, se tornarão inviáveis com o enchimento do reservatório, que será responsável também pela remoção de 1,4 mil pessoas. Com a capacidade revista para 8.040 megawatts (MW), São Luiz é a principal aposta do governo para o crescimento da oferta de energia hidrelétrica nos próximos anos e deve ir a leilão até o fim do ano.
O Rima da obra, documento que aponta os impactos do projeto e propostas para sua mitigação, foi entregue ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na sexta-feira e será discutido em audiências públicas na região antes da avaliação final pelo órgão. O texto prevê o alagamento de 356 km² de áreas de alta diversidade ambiental para o reservatório da usina, que terá, ao todo, 729 km². Inicialmente estimada em 6.133 MW, a potência da usina foi revista após estudos mais detalhados sobre a melhor localização da barragem e suas duas casas de força. 
Caso a obra seja aprovada, os primeiros a sofrer o impacto serão os moradores das localidades chamas Vila do Pimental, Colônia do Pimental e São Francisco, que serão removidos para a construção do canteiro de obras. Ao todo, o consórcio responsável pelos estudos calcula que 1.404 pessoas terão que deixar suas casas para dar lugar às instalações de construção, à linha de transmissão e ao lago do reservatório. O enchimento do lago vai inviabilizar a atividade agropecuária e também a mineração nas margens do rio. Na área do empreendimento, há hoje 117 processos minerários em curso, em diferentes estágios de regularização.
“Independente da sua regularização, com a formação do reservatório, serão inviabilizadas as áreas de lavra em terra firme, pois em geral as flutuantes possuem condições técnicas para continuar atuando nas novas condições”, diz o relatório. O texto identifica impacto direto em 46 processos de direitos minerários obtidos junto ao Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), nove deles em fase inicial de pesquisa. A maior parte refere-se à mineração de ouro e diamante. Nos últimos anos, a região experimenta uma nova “corrida do ouro”, com o crescimento dos garimpos, muitos deles ilegais.
Para minimizar os impactos junto à atividade, o consórcio propõe um plano de acompanhamento da atividade mineral, que prevê atualização contínua e o acompanhamento da situação legal dos processos minerários para definir “o tipo de bloqueio (provisório ou permanente)” da atividade, além de uma reorganização do garimpo na área, para eventual realocação, respeitando as restrições ambientais. Entidades ambientais temem ainda o aumento do garimpo ilegal na região, diante das facilidades de infraestrutura que serão construídas para o projeto.
Além de novas habitações para as famílias removidas, o consórcio vencedor do leilão terá que construir um porto e pavimentar uma estrada para o transporte de pessoas e materiais para o projeto. Uma linha de transmissão de 40 quilômetros, ligando a usina a uma subestação em Itaituba também será necessária. Estima-se que 13 mil trabalhadores estarão no local no pico das obras, previsto para dois anos após seu início. Deste total, 4,5 mil devem ficar após o início das operações. Além de medidas compensatórias para minimizar as perturbações socioeconômicas, o Rima lista uma série de impactos positivos, como a geração de empregos e negócios para os moradores, melhoria na arrecadação e na infraestrutura local.
Por outro lado, há também impactos negativos na fauna local, como a interrupção de fluxos migratórios de peixes e o confinamento de jacarés,botos e ariranhas, que não terão condições de ultrapassar a barragem. 

domingo, 27 de novembro de 2011

Seminário em Defesa da Vida da floresta e dos povos do Rio Tapajós

O grito que ecoa da terra, das águas e dos povos.
Caros companheiros e companheiras, irmãos e irmãs, parentes, filhos e filhas da mãe Terra e das águas!
É tempo de animar nossas comunidades, motivar nossos grupos de Bases, articular nossas paróquias, pastorais e movimentos populares, pois é tempo de CELEBRAR A MEMÓRIA DA LUTA DE RESISTÊNCIA DOS POVOS E TRANSFORMAR A HISTÓRIA DE DOMINAÇÃO E OPRESSÃO.
TAPAJÓS FONTE DE VIDA E DE RESISTENCIA DOS POVOS!
Falar da nossa realidade é também falar de uma discussão que deve ser desencadeada com o maior número de pessoas possíveis, que vivem às margens do rio tapajós que por sua vez se encontra ameaçado pelo grande complexo hidrelétrico. Esse projeto traz a morte para a região, em nome do lucro de empresas nacionais e internacionais que querem saquear a região.
É nesse intuito que queremos dar ênfase no debate de como resistir e lutar pela vida de nossas populações tradições que têm o rio como principal fonte de vida.
É através destas iniciativas que vamos reconstruindo esta região, a partir da participação de homens e mulheres comprometidos com a defesa da nossa região. A solidariedade na luta entre os povos da Amazônia: ribeirinhospescadores, agricultores e nossos parentes indígenas. Queremos aprofundar o debate sobre a conjuntura política de nossa região, como estão sendo pensados os projetos que se dizem de desenvolvimento, mas que não levam em consideração a vida e a dignidade de nossos povos.
A motivação para a realização dessa importante atividade é garantir espaço plural de reflexão das pessoas do tapajós sobre sua própria realidade, buscando a construção de um projeto popular, que parte da organização e trabalho de base com as comunidades, sensibilizando a sociedade sobre questões fundamentais para a vida do povo. É por isso que convidamos toda a população de Itaituba e cidades vizinhas para vivenciarmos essa experiência e juntos celebrarmos a defesa da vida das florestas e dos povos do Rio Tapajós.
Por isso, defendemos os direitos da população da região em dizer NÃO a esse projeto de morte, e ao mesmo tempo, exigir os direitos fundamentais da vida desse povo, como o direito à água, a terra, educação, saúde, habitação, energia elétrica e assim por diante. É um dever de todos e todas a luta contra o complexo de barragens no rio Tapajós e pelos direitos da população.
PROGRAMAÇÃO

  • 11 de novembro noite – Chegada do povo. Apresentação do encontro e motivação para a marcha em defesa da vida da floresta e dos povos do Rio Tapajós.
  • 12 de novembro:
Manhã: Marcha pela cidade de Itaituba em defesa da vida da floresta e dos povos do Rio Tapajós.
  • Tarde: mesa de debate:
- Análise de conjuntura – modelo energético e a construção de barragens para essa região – significado e consequências.
- o Complexo de hidrelétricas no rio tapajós.
Fila do povo: VENHA APRESENTAR OS PROBLEMAS DE SUA COMUNIDADE E JUNTOS Denunciaremos.
  • 13 de novembro: manhã
- encaminhamentos das denúncias e estratégias para possíveis soluções.
- término ao meio dia.
FAÇA SUA INSCRIÇÃO E PARTICIPE CONOSCO DESSA ATIVIDADE.
DIGA SIM A VIDA.
Local: Parque de Exposição Hélio da mota Gueiros KM 5. Itaituba -PA

domingo, 20 de novembro de 2011

Obras na Amazônia atraem 7 'trens-bala'

Investimentos somam, pelo menos, R$ 212 bilhões e criam novo ciclo de expansão econômica na região 

Plano cria saída para o agronegócio exportador e uma nova estrutura para geração de energia e exploração mineral 

JULIO WIZIACK
AGNALDO BRITO
DE SÃO PAULO


O governo federal e o setor privado inauguraram um novo ciclo de desenvolvimento e ocupação da Amazônia Legal, onde vivem 24,4 milhões de pessoas e que representa só 8% do PIB brasileiro.
O pacote de investimento para os nove Estados da região até 2020 já soma R$ 212 bilhões. Parte já foi realizada. O valor deverá subir quando a totalidade dos projetos tiver orçamentos definidos.
Esse volume de recursos equivale a sete projetos do TAV (Trem de Alta Velocidade), pouco mais de quatro vezes o total de capital estrangeiro atraído pelo Brasil em 2010 e duas vezes o investimento da Petrobras para o pré-sal até 2015. Excluindo o total do investimento do país no pré-sal, os recursos a serem aportados na Amazônia praticamente vão se equiparar aos do Sudeste, principal polo industrial do país.
É o que indica levantamento feito pela Folha com base no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e nos principais projetos privados em andamento.
Basicamente, são obras de infraestrutura (energia, transporte e mineração). Juntas, elas criarão condições para a instalação de indústrias e darão origem a um corredor de exportação pelo "arco Norte", que vai de Porto Velho (RO), passando por Amazonas, Pará, até o Maranhão.
Essa movimentação de cargas será feita por uma malha logística integrada por rodovias, ferrovias e hidrovias que reduzirão custos de exportação, principalmente para o agronegócio, que hoje basicamente utiliza os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

ENERGIA AMAZÔNICA
O setor elétrico é a força motriz dessa onda de investimento. As principais hidrelétricas planejadas pelo governo serão instaladas na região e, com elas, também se viabilizarão as hidrovias.
Projetos como Belo Monte (PA), Jirau e Santo Antônio (RO), Teles Pires e o complexo do Tapajós (PA) fazem parte desse novo ciclo de ocupação, acelerando o processo que se iniciou ainda sob a batuta do governo militar. A Amazônia, que hoje participa com 10% da geração de energia no país, passará a 23%, até 2020. Em uma década, ela será responsável por 45% do aumento da oferta de energia no sistema elétrico brasileiro e se tornará um dos motores do crescimento.

CONTROVÉRSIAS
Para acelerar a implantação dos projetos, o governo federal estuda uma série de mudanças legais. Entre elas estão a concessão expressa de licenças ambientais, a criação de leis que permitam a exploração mineral em áreas indígenas e a alteração do regime de administração de áreas de preservação ambiental.
Há ainda no Congresso um projeto de lei que, caso seja aprovado, tornará obrigatória a construção de hidrelétricas juntamente com as eclusas, viabilizando o transporte hidroviário.
O atual modelo prevê a construção das usinas e somente a apresentação do projeto da eclusa, obra que deve ser feita pelo governo. O avanço sobre a Amazônia gera controvérsias entre ambientalistas, que acusam o governo de repetir um modelo de desenvolvimento não sustentável e que conduz a região ao colapso social. Para os ambientalistas, as obras das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Porto Velho (RO), e de Belo Monte, em Altamira (PA) são exemplos.

    Texto Anterior | Próximo Texto | Índice | Comunicar Erros 

Saída pelo Norte vira nova opção ao porto de Santos

Até safra 2012-2013, exportação de grãos pela Amazônia deve dobrar 

Ao transpor a floresta, custo do agronegócio cai; país será maior fornecedor de alimento do mundo em dez anos

DE SÃO PAULO

O porto de Santos (SP), principal porta de exportação do país, perderá importância nos próximos anos com os investimentos que já começam a ser feitos na Amazônia.
O volume de grãos (milho e soja) exportados pelos portos da região deve dobrar até a safra de 2012-2013, passando de 5,2 milhões de toneladas para 11,8 milhões. Isso será possível com a ampliação dos portos de Santarém e Belém (PA) e Itaqui (MA). Até 2020, o investimento público e privado previsto para a criação de corredores de exportação, construção e ampliação de terminais portuários no chamado "arco Norte" será de R$ 3,2 bilhões.
Hoje, as principais portas de saída do agronegócio são os portos de Santos, Paranaguá (PR) e Vitória (ES), que, juntos, respondem por 60% das exportações do setor. Pelos terminais portuários da Amazônia saem 7 milhões de toneladas, 12% do total.
"É um contrassenso", diz Luiz Antônio Fayet, assessor para assuntos de logística da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). "A zona produtora avançou rumo ao norte, mas a infraestrutura de transporte não acompanhou esse movimento, fazendo com que o excedente da produção tenha de seguir para o sul numa logística cara e ineficiente."
Essa situação fez com que o custo de transporte do Brasil entre a lavoura e o porto se tornasse um dos mais altos do mundo. Segundo a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), o custo médio da tonelada de grão no país é de US$ 85, enquanto na Argentina e nos EUA ele é de US$ 20 e US$ 23, respectivamente.
Estima-se que, com os novos projetos no "arco Norte", os custos logísticos do Brasil se aproximem dos dos seus dois principais concorrentes.
Se isso ocorrer, um produtor em Sinop (MT), por exemplo, poderá ter ganhos de até R$ 8 por saca. Isso representa uma melhoria na rentabilidade do produtor, estimulando novos investimentos na produção no Centro-Oeste.

FRETE MENOR
Há outras vantagens. Exportando pelo "arco Norte" e não pelos portos do Sul e do Sudeste, a distância percorrida pela produção agrícola do Centro-Oeste seria mil quilômetros menor, o que representa quatro dias a menos no tempo de navegação entre o Norte e Roterdã, o principal porto da Europa. Resultado: redução no custo do frete. Essa diferença será fundamental para o Brasil, que deverá ser o maior fornecedor de alimentos no mundo em uma década, segundo projeções da CNA.

MINÉRIOS
As mudanças também estimulam os produtores de minérios. Segundo o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), a Amazônia receberá R$ 53,7 bilhões em investimentos privados no setor, o que representa 46% do total. O número não considera as novas descobertas. O Serviço Geológico do Brasil já está concluindo a maior e mais detalhada pesquisa do potencial do subsolo amazônico.
"É provável que esse levantamento revele uma nova província mineral, como a de Carajás, sob a floresta", diz Marcelo Ribeiro Tunes, diretor de assuntos minerais do Ibram. "Isso vai induzir novos sistemas de logística na região amazônica", diz. 
(AG E JW) 

    Texto Anterior | Próximo Texto | Índice | Comunicar Erros 

Ciclo ameaça ambiente, dizem ONGs

DE SÃO PAULO

Ambientalistas apoiam o desenvolvimento na Amazônia, mas consideram que os projetos atuais são uma volta ao modelo exploratório implantado pelo governo militar.
"Só estão pensando no que dá para tirar de lá", diz Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra. Para ele, o governo abriu mão do desenvolvimento regional e sustentável preocupado somente em como dar suporte ao crescimento econômico do país nos próximos anos.
Segundo Telma Monteiro, especialista em energia da Kanindé, há estudos indicando que terá início uma nova fase de desmatamento, aumentando as emissões de carbono.
"Isso sem contar o caos social que será implantado nas cidades", diz Monteiro. "Esse custo nunca é calculado nos estudos." Em Porto Velho (RO), onde estão sendo construídas as usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio, já há 120 mil pessoas a mais que foram atraídas pelas promessas de trabalho. Resultado: não há vagas nas escolas, e os hospitais não suportam a demanda. A cidade continua sem água e esgoto.
"Na BR-163, que já foi considerada um modelo de projeto sustentável, ninguém pensa mais nos problemas decorrentes da ocupação irregular em torno da rodovia e os conflitos que isso traz", diz Brent Millikan, diretor da International Rivers.
Para ele, as mudanças em curso são uma afronta à democracia e à legislação vigente. "Licenças ambientais, que deveriam ser atestados de segurança dos projetos, hoje são consideradas um atraso. É esse o projeto de desenvolvimento que vamos apoiar?", indaga Millikan.
(JW e AB) 

sábado, 5 de novembro de 2011

Documento Final do Seminário Macro Regional sobre Grandes Projetos e a Resistência Indígena

Nós participantes do Seminário sobre Grandes Projetos e a Resistência Indígena, representantes dos povos Maraguá, Macuxi, Wapichana, Marubo, Munduruku, Oro Eo, Ororam Xijein, Arara, Kassupá, Apurinã, Xavante, Bororo, Rikbaktsa, Karitiana, Jaminawa, juntamente com representantes do Macro Regional do Cimi – Regionais Norte I, Amazônia Ocidental, Rondônia e Mato Grosso, reunidos em Manaus entre os dias 20 e 22 de setembro, debatemos sobre os projetos que impactam a Amazônia e buscamos alternativas frente a estes. O objetivo principal do seminário foi socializar as informações sobre a incidência e impacto dos projetos nas terras indígenas e as formas de resistência, favorecendo a compreensão sobre o atual modelo de desenvolvimento na Amazônia e as alternativas para a articulação e mobilização dos povos e organizações indígenas e de seus aliados.
Diante dos temas abordados e das contribuições trazidas pelos indígenas, pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB, Ministério Publico Federal – MPF, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA e do Cimi, constatamos que estes projetos desenvolvimentistas vêm sendo concretizados nas regiões sem a efetiva participação e conhecimento dos povos e comunidades indígenas.
O desrespeito aos direitos dos povos expressa-se na falta de acesso as informações sobre os reais prejuízos destes projetos, na não efetivação da consulta livre, previa e informada, como prevê a Convenção 169 da OIT, na realização de falsas audiências e oitivas e no não cumprimento das condições determinadas pelos órgãos ambientais para o licenciamento das obras.
Concluímos que a construção de grandes e pequenas centrais hidrelétricas, hidrovias, ferrovias, pavimentação de rodovias, entre outros, visam atender os interesses capitalistas e afetam diretamente os territórios e comunidades, comprometendo as perspectivas de futuro e a sobrevivência física e cultural dos mesmos. Destacamos a situação dos povos e grupos indígenas livres (isolados) que são desconsiderados na implantação destes projetos e encontra-se em maior situação de risco. Os estudos de impacto ambiental – EIA e os relatórios de impacto ao meio ambiente – RIMA, apresentam-se frágeis e com sérias falhas, resultantes da pressa em se implementar tais projetos e obras, comprometendo a verificação dos reais impactos e prejuízos que os povos sofrerão. Por outro lado, os empreendedores oferecem compensações que, na prática, não compensam os prejuízos, geram divisões e utilizam-se de estratégias de sedução de lideranças com a intenção de enfraquecer o movimento indígena.
Debatendo sobre as causas e efeitos das mudanças climáticas, verificamos que um conjunto de falsas soluções vem sendo apresentadas nas convenções do clima e que muitas propostas são feitas aos povos indígenas sem que haja a real informação sobre o que são e quais as implicações destas para os seus territórios e comunidades.
O governo brasileiro, que deveria ser o defensor dos territórios e dos direitos dos povos indígenas, vem sendo um dos principais responsáveis pela violação destes direitos, na medida em que protela as demarcações dos territórios, permite a sistemática invasão das terras demarcadas e fecha os olhos diante do caos da saúde indígena. A Funai e o Ibama, através de seus pareceres e licenças, atropelam os direitos constitucionais dos povos indígenas, favorecendo e legitimando a implantação destes projetos descumprindo, inclusive, convenções que o Brasil é signatário.
Diante desta realidade, sentimos a necessidade de fortalecer as práticas tradicionais de cada povo no relacionamento com a Mãe Terra, de reafirmar que os povos indígenas têm outra visão de desenvolvimento, que passa, necessariamente, pela integridade dos territórios que é onde se constroem as reais possibilidades para o Bem Viver.
Manaus, AM, 22 de setembro de 2011.
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=5817&action=read

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

EPE deve concluir estudos da linha de Belo Monte em um mês


Poxa vida... dizer que não tem presença humana é demais!


O superintendente de transmissão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Paulo Esmeraldo, afirmou nesta segunda-feira (26/9), durante evento em São Paulo, que a conclusão e divulgação dos estudos referentes ao sistema de transmissão que irá conectar a usina de Belo Monte à rede deve acontecer no fim do mês de outubro.

Numa apresentação que destacou as novas tecnologias a serem implantadas nas redes, o executivo lembrou que a conexão da megausina deve ser feita com linhas de corrente alternada 500kV, na ligação Norte-Nordeste, e corrente contínua de 800kV, no trecho que chega ao Sudeste.

Depois da hidrelétrica do Xingu, será a vez de serem licitadas as linhas dos aproveitamentos de Teles Pires e Tapajós. “Teles Pires não tem grandes desvios, grandes impactos. É um cenário parecido com as linhas do rio Madeira [Jirau e Santo Antônio]”, avalia Esmeraldo, que mostrou durante sua palestra as formas estudadas para a transmissão na região: corrente alternada e linhas de transmissão convencionais ou um modelo que contempla correntes alternadas e contínuas.

No caso de Tapajós, as análises ainda são mais preliminares. “Se depender de mim a gente faz corrente contínua agora. Nem tem de estudar. Mas vamos demonstrar para o setor que é o formato imbatível neste caso”, disse o especialista. A grande diferença do complexo é o fato da região não ter presença humana, o que dá outro tom para a exploração da área.
Sobre as complicações ambientais na construção de linhas, Esmeraldo afirmou que “negociações com índios são demoradas, exigentes e tudo mais que podem imaginar”. Por fim, lembrou ainda da possível conexão do Brasil com usinas que serão levantadas no Peru. A alternativa pode ser ligar cerca de 1000MW nas próprias linhas do Madeira, fazendo com que essa carga extra “pegue carona” no despacho das usinas do Norte nas épocas de seca – isso pelo fato do projeto peruano contemplar reservatório, o que garantiria o abastecimento.
Fonte: Jornal da Energia
Valeu, Marquinho!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

EUA dizem adeus às suas represas: ''São caras e nocivas ao ambiente''

Símbolo obsoleto do século XX: só resistirão as eficientes. Foram destruídas 925 represas, muitas nos últimos anos. Ressuscita o negócio da pesca e do turismo.
A reportagem é de Federico Rampini, publicada no jornal La Repubblica, 18-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A tribo Klallam está em festa há uma semana por causa da "vingança do salmão selvagem, animal sagrado". O ponto culminante das celebrações foi a grande explosão de dinamite que pulverizou ontem, em uma nuvem de detritos, a barragem deLower Elwha, um rio no Estado de Washington. "A retomada do curso natural – declarou o ministro do Interior, Ken Salazar – assinala o início de uma nova era nas relações entre os nossos rios e as comunidades que vivem em suas margens".
A barragem de Lower Elwha, uma muralha de 35 metros de altura, é apenas a última a cair sob os golpes de uma nova tendência, que está apagando da paisagem norte-americana uma das marcas distintivas do século XX.
A demolição das barragens tem sido invocada há muito tempo pelos ambientalistas, que as consideram um estupro da paisagem. O aliado natural nessa campanha são os índios dosEUA, descendentes de tribos indígenas que preservaram tradições ancestrais de respeito pela natureza. Mais recentemente, os cientistas especialistas em climatologia, geografia e geologia se uniram a uma tese "revisionista": longe de regular os rios, as barragens, muitas vezes acentuam as enchentes e as inundações, enquanto um retorno ao fluxo natural permite que se reduzam as calamidades. Até mesmo a direita acabou inclinando, por uma razão prosaica: manter as represas custa caro, em uma fase de altos déficits públicos, enquanto destruí-las significa ressuscitar o negócio da pesca e do turismo.
Resultado: os EUA demoliram 925 barragens, a maior parte delas nos últimos quatro anos. Um número já enorme, mas que tende a aumentar rapidamente, porque o total das barragens dos EUA gira em torno das 80 mil. A maioria delas foi construída há mais de meio século e estão se aproximando da sua "data de validade" de acordo com as normas de segurança.
A inversão de tendência é impressionante, porque as barragens eram um símbolo da "conquista do território" por parte dos colonos brancos, e, no século XX, um motor de modernização: das fábricas têxteis às fábricas de papel no início do século XX, muitas áreas da Costa Leste e do Centro-Oeste viram florescer o seu primeiro boom industrial justamente ao longo dos rios e perto das represas que geravam a eletricidade. Até a Segunda Guerra Mundial, as centrais hidrelétricas alimentadas por barragens forneceram 40% de toda a energia dos EUA.
O impulso mais vigoroso à construção das represas ocorreu naGrande Depressão, precisamente aquele período histórico que hoje os norte-americanos "redescobrem" para o seu próprio prejuízo, por causa das analogias com a crise atual. Para arrastar a economia dos EUA para fora da Depressão, nos anos 1930, o presidente Franklin Delano Roosevelt lançou com o New Dealum imponente programa de obras públicas. As barragens estavam em primeiro lugar entre as infraestruturas construídas nesse período e algumas delas entraram para a história.
Esse é o caso da Hoover Dam (foto), no Black Canyon do rioColorado, 40 quilômetros ao sul de Las Vegas: foi inaugurada no dia 30 de setembro de 1935 por Roosevelt, que teve a elegância de dedicá-la ao seu infeliz antecessor (porque os fundos haviam sido alocados quando o presidente era Herbert Hoover, o do crack da bolsa de 1929). Na paisagem espetacular ao longo da estrada US-93, a Hoover Dam havia sido uma atração turística até hoje.
Ainda mais importante foi a experiência da Tennessee Valley Authority, instituída em 1933 para ajudar uma das áreas mais atingidas pela Depressão: essa entidade pública construiu 50 barragens e 12 centrais hidrelétricas, tornou-se um modelo de planejamento estatal do território, copiado depois da Segunda Guerra Mundial em muitos países emergentes.
Pode surpreender a marcha a ré de hoje justamente quando a energia hidrelétrica permite reduzir as emissões de dióxido de carbono. Na verdade, a National Hyrdopower Associationaumentará em 66% a produção de energia nos próximos 15 anos, concentrando-a nas grandes barragens mais novas e mais eficientes. Já agora, grande parte da hidroenergia vem de 3% das barragens. Quanto às outras, elas podem seguir o destino deElhwa Dam e restituir a água aos seus proprietários. "Antigamente, nos chamavam de povo salmão", diz Robert Elofson, da tribo Klallam, "porque para nós o peixe tinha uma mesma dignidade que a espécie humana. Neste rio, os salmões caíram de 400 mil para 3 mil. Agora, eles podem reconquistá-lo".

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Líder Caiapó vai à França em campanha contra a construção de Belo Monte


Na entrada do país, o indígena foi recebido por um grupo de ambientalistas que portavam um abaixo-assinado com 100 mil assinaturas contra a construção da usina
 (Mehdi Fedouach/AFP)Cecilia Kruel – Estado de Minas
Líder indígena da tribo Caiapó, Raoni Txucarramãe, desembarcou nesta segunda-feira no Aeroporto Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, na França para participar de um encontro contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. As atividades no país francês duram até o final de setembro e tem como objetivo conscientizar os europeus dos impactos ambientais irreversível causados pela construção da terceira maior usina hidrelétrica do mundo.
Na entrada do país, o indígena foi recebido por um grupo de ambientalistas que portavam um abaixo-assinado com 100 mil assinaturas contra a construção da usina Belo Monte. O levantamento foi realizado por uma organização ambiental francesa, que convidou Raoni ao país. Durante sua estadia, estão previstos um encontro com o ex-presidente francês, Jacques Chirac, e uma pequena cirurgia nos olhos.
http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2011/09/19/internas_economia,251471/lider-caiapo-vai-a-franca-em-campanha-contra-a-construcao-de-belo-monte.shtml#.TneBUVWy4u0.gmail

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Hidrelétricas são destaque nas liberações do BNDES


Carlos Silva
O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou entre janeiro e julho R$ 64,9 bilhões.  Desse montante, mais de 10% foram destinados a projetos de energia elétrica, num total de R$ 7,07 bilhões.  Além disso, o banco já aprovou outros R$ 8,3 bilhões para o setor.  Os grandes projetos em curso com o apoio do banco são principalmente as usinas do rio Madeira – Santo Antônio e Jirau -, além da termonuclear de Angra 3.
A hidrelétrica de Santo Antônio (3.450 MW) – primeira dos grandes projetos em curso a ser contratada – prevê investimentos de R$ 13,1 bilhões.  Desse total, o banco entra com R$ 6,1 bilhões.  Os desembolsos vão ocorrendo ao longo do tempo, à medida que cada etapa da obra vai sendo cumprida.
A Santo Antônio Energia – parceria entre a Odebrecht, Andrade Gutierrez, FIP e Eletrobrás Furnas – prevê colocar a primeira unidade geradora da hidrelétrica em operação comercial ainda este ano.  Em julho, a empresa iniciou o desvio do rio, operação que marca o início do enchimento gradual do reservatório da usina.  Quando finalizada, Santo Antônio terá 44 turbinas e energia assegurada – quantidade de energia efetivamente gerada ao longo do ano – de 2.140 MW médios.  A capacidade da usina foi ampliada em relação à previsão original de 3.150 MW.
Já a hidrelétrica de Jirau deve entrar em operação somente em setembro de 2012, segundo a Energia Sustentável do Brasil.  A previsão inicial era de entrada em operação em março.  O empreendimento sofreu atraso devido à paralisação das obras provocada por greves e tumultos entre os funcionários em março deste ano.
A Energia Sustentável do Brasil ampliou o projeto em relação ao originalmente previsto (3.300 MW).  A empresa acrescentará seis turbinas, totalizando 3.750 MW em 50 unidades geradoras.  A energia assegurada do empreendimento será de 2.184 MW médios, dos quais 73% já contratados.
No mês passado, o consórcio negociou 209 MW médios dessa ampliação com consumidores livres e ainda espera vender mais 90 MW médios.  O nome das empresas compradoras é mantido em sigilo, por questões contratuais de confidencialidade.  O investimento previsto é R$ 10,5 bilhões, dos quais o BNDES entra com R$ 7,2 bilhões.
http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=394172

OEA cancela medida cautelar que pedia a suspensão das obras de Belo Monte

Poxa vida...



A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) voltou atrás e cancelou a medida cautelar que pedia ao governo brasileiro que suspendesse as obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA).  As informações são do jornal O Globo.
A presidente Dilma Rousseff recebeu a carta com o pedido de retratação da OEA no dia 1º de agosto, entretanto a revelação só foi feita ontem pelo especialista em segurança pública da OEA, Adam Blackwell, que está em visita ao Brasil desde o último domingo e conversou com o jornal.
Blackwell afirmou que houve “falta de informação dos integrantes da comissão” ao pedirem a suspensão das obras e que, agora, o assunto está encerrado.
Histórico
A medida cautelar foi publicada após organizações de defesa das populações ameaçadas pela hidrelétrica de Belo Monte entregarem uma petição com as denúncias de violações de direitos humanos por parte do país à OEA.
Apelando a um discurso desenvolvimentista o Brasil entregou, uma semana depois, uma carta explicando-se sobre as possíveis violações de direitos humanos ocorridos por causa da construção da usina.  Além disso, o governo brasileiro retirou a candidatura de Paulo Vannuchi para representante do país na comissão, no lugar de Paulo Sérgio Pinheiro.
Se a CIDH mantivesse sua posição e o Brasil não cumprisse a determinação, o país poderia ser julgado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos e em última instância seria expulso da OEA.
http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=394274

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Criminalidade e violência em Altamira aumentam 28% com Belo Monte

Publicado em 12 de setembro de 2011 
Por Xingu Vivo

O aumento da violência em função do início das obras de Belo Monte já vem se configurando como um problema em Altamira (PA), principal cidade da região afetada pela construção da Usina. Somente neste último final de semana, um menor de idade foi morto, um homem teve o rosto desfigurado, uma delegacia foi invadida por quarenta trabalhadores – onze deles foram detidos -, um resgate foi feito na prisão e “justiça” foi feita com as próprias mãos.
Para os movimentos sociais, o fato apenas confirma a previsão feita nos últimos anos. Mais grave, como também já apontado, é que Belo Monte vem desacompanhada de políticas públicas e instaura um clima de grande insegurança e um futuro incerto para as populações locais – em especial, a juventude.
A avaliação é corroborada pelas autoridades policiais. Segundo o superintendente regional da Policia Civil, o delegado Cristiano Nascimento, não há efetivo suficiente para atender às novas necessidades, que tem crescido com o início da construção dos alojamentos do canteiro de obras da hidrelétrica. “Somente em Altamira, a criminalidade aumentou 28%, do ano passado para cá. Neste período, não foram trazidos novos policiais para a delegacia”, explica.
Nascimento lembra que a regional é responsável por atender nove municípios da região, e não apenas Altamira.  “Neste momento, precisaríamos de 50% a mais do que contamos hoje”, acrescenta. Segundo ele, este número dobraria, caso Belo Monte siga seu ritmo de construção.
“As conseqüências de uma obra como esta, ainda em fase embrionária, são muito mais nefastas e complexas do que os discursos públicos do Ibama e do governo deixam transparecer”, comenta a coordenadora do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, Antonia Melo. “A criminalidade cresce e, claro, também cresce entre as camadas mais jovens e empobrecidas da população. O que vai acontecer com toda essa juventude? O que vai ser da vida aqui?”, questiona. Para ela, Belo Monte é um caos e o governo sequer consegue colocar panos quentes em questões simples, como o aumento do reforço da polícia civil na região. “Nem isso eles fazem, o que dirá uma política pública séria que realmente trate de todas as consequências desse monstro… A cidade está completamente fora de controle. O governo e a Norte Energia simplesmente estão ignorando a vida de quem mora no entorno deste monstro que eles querem construir”, lamenta.
Condicionantes
Sobre as condicionantes, o delegado é bastante explícito. “Sabe-se que há um planejamento para atender a região e que a Norte Energia assinou convênio com o estado de R$ 174 milhões para a segurança, mas entre o planejamento e a execução, tem um pulo muito grande”. Para que haja contratações, é necessário haver concurso público; e, segundo Nascimento, não há ainda nem o edital do concurso lançado. “Ou seja, até que seja feito o concurso, e chamados e treinados os novos policiais, estes só poderão chegar em, no mínimo, um ano”.
Para o representante do Instituto Socioambiental, Marcelo Salazar, as obras de Belo Monte deveriam ter começado apenas depois que a região estivesse preparada para suportar as consequências que uma obra deste porte carrega consigo. “É um crime o IBAMA ter liberado essa licença. Quem será responsabilizado pelo caos que estamos assistindo? O taxista assaltado que não achou amparo na justiça e buscou soluções fora dela? O delegado que não tem condições de realizar seu trabalho? A falta de planejamento da prefeitura e do estado por não aparelhar a segurança da cidade?”, pergunta.
Marcelo também credita a responsabilidade pela violência e desamparo à Norte Energia e ao governo federal. “Eles conseguem planejar e executar as obras, mas não consegue cumprir as condições prévias de preparação socioambiental que uma obra dessa envergadura exige – e ainda afirmam que tudo está sub controle, escondendo a sujeira, o descaso, os próprios crimes”.
Criminalidade
Um assalto violento a um taxista, ocorrido no sábado, 10, acabou levando à morte de um menor por ineficiência da justiça. Após ser roubado e espancado, o motorista chegou a delegacia apenas em roupas de baixo e registrou ocorrência. A morosidade da polícia fez com que ele e outros taxistas saíssem em busca dos culpados, houve um confronto e um rapaz de 15 anos, parente de um dos ladrões, acabou morto. Um taxista também saiu ferido, tendo sido esfaqueado no rosto.
No domingo (11), a delegacia regional da Polícia Civil de Altamira foi invadida por 40 taxistas. Eles renderam o delegado, um escrivão e um agente, entortaram com as mãos as grades apodrecidas do presídio e resgataram o colega acusado da morte do menor. Outros 11 taxistas acabaram presos
Neste mesmo final de semana, uma mulher foi assassinada. O culpado não foi encontrado. Na sexta-feira que antecedeu o feriado de 7 de setembro, três jovens foram esfaqueados e mortos na porta de uma discoteca na principal avenida da região central da cidade.

Valeu, Marquinho!

domingo, 11 de setembro de 2011

Audiência sobre PCHs em Itaituba/PA

Audiência sobre RIMA das PCHs da Cachoeira do Codo e Cachoeira do Ebrio no rio Itapacura (afluente do Tapajos que passa perto da cidade)


Local: Câmara de Vereadores de Itaituba/PA


Data: 13 de setembro de 2011


Hora: 09h

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Decisão que paralisou as obras da Barragem Figueiredo, no Ceará

Esta decisão é grande, mas vale a pena colocá-la aqui.

Vistos etc.
                     
 Trata-se de Ação Civil Pública manejada pela DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO em desfavor do DEPARTAMENTO NACIONAL DE OBRAS CONTRA AS SECAS - DNOCS, objetivando compelir o réu a realizar perícia técnica na área diretamente afetada com a Construção do Açude Figueiredo e na área de influência direta a cargo de equipe interdisciplinar com o objetivo de proteger, fiscalizar, promover, estudar e pesquisar o Patrimônio Cultural brasileiro, determinando-se medidas mitigadoras e compensatórias, colocando-se a perícia técnica como condicionante à concessão de Licença de Operação do empreendimento, além da condenação do réu a pagar danos morais coletivos.   
A autora alegou que a obra do Açude Figueiredo, que se encontra em estágio avançado, além de acarretar desagregação das comunidades tradicionais locais, especialmente da comunidade que vive na Lapa, em Potiretama/CE, não foi precedida de estudos referentes ao Patrimônio Cultural, conforme determinado na Resolução CONAMA 001/1986 (Art. 6º), de modo que se encontra irregular, pois vem causando dano ao patrimônio histórico e cultural brasileiro, de que "são símbolos explícitos a Casa de Farinha e o Engenho seculares que eram usados pelos moradores da Lapa", local que terá a maior parte de extensão alagada pelas águas da Barragem do Açude Público Figueiredo, em construção pelo réu. Além disso, afirmou que o Termo de Ajuste de Conduta firmado pelo réu em conjunto com o Ministério Público Federal, o IDACE e o INCRA, em 2010, com vista ao assentamento da população local, não vem sendo cumprido, acarretando transtornos à comunidade.
Concluiu pedindo a antecipação dos efeitos da tutela para que seja determinada a paralisação das obras de construção do Açude Figueiredo e aplicação de multa coercitiva, até que seja realizada a perícia técnica solicitada pelo IPHAN ao empreendedor, e que as medidas mitigadoras e compensatórias sejam efetivadas. Aduziu que a decisão limitar se impõe diante da verossimilhança do alegado, bem assim pelo risco potencial de dano, já que a conclusão da obra acarretará a inundação de séculos de história.
Relatado no essencial, passo a fundamentar e decidir:
                     
A antecipação da tutela pressupõe a existência verossimilhança do direito e de prova inequívoca do alegado, além do fundado receio de dano, conforme as diretrizes do Art. 273 e parágrafos do Código de Processo Civil. 
No caso, a autora pretende obstar a continuidade das obras da Barragem do Açude Figueiredo até que seja realizada a perícia recomendada pelo IPHAN, com o objetivo de proteger, fiscalizar, promover, estudar e pesquisar o Patrimônio Cultural brasileiro, determinando-se medidas mitigadoras e compensatórias.
Consta dos autos manifestação técnica do IPHAN afirmando que a partir da análise do EIA/RIMA e consulta nos arquivos do setor de Arqueologia do órgão não foi constada a existência de estudos referentes ao Patrimônio Cultural, conforme determina a Resolução CONAMA 001/1986, em seu artigo 6º.
Além disso, o réu não observou o disposto na Portaria IPHAN 230, de 17 de dezembro de 2002, que determina a realização de estudos arqueológicos em três fases concomitantes às de licenciamento ambiental. Segundo a aludida Portaria, a primeira fase, denominada de Licença Prévia (LP), se conclui com a apresentação pública dos resultados a que chegaram os integrantes da equipe multidisciplinar que elaboraram o EIA/RIMA. A segunda fase, denominada de Licença de Instalação (LI), se caracteriza pela aprovação do EIA/RIMA, devendo referir-se ao profissional de arqueologia que deverá, com base nos dados produzidos pela equipe do EIA/RIMA, elaborar um plano de resgate dos sítios arqueológicos com relevância, identificados primordialmente pelas informações contidas na ficha padrão do CNSA/IPHAN localizados na área direta do empreendimento. A terceira fase, chamada de Licença de Operação (LO), ocorre quando da apresentação pelos arqueólogos integrantes da equipe de licenciamento ambiental de um novo programa de pesquisa, com base na metodologia definida pela Portaria nº 07/1988/IPHAN, visando o desenvolvimento de pesquisas nos sítios de maior relevância na área de entorno ambiental do empreendimento em licenciamento, bem como o estabelecimento em definitivo de um programa de divulgação e reintegração do acervo cultural à população diretamente afetada pelo empreendimento como forma de mitigação aos prejuízos causados ao patrimônio cultural e ambiental brasileiro.
Por oportuno, vejam-se as disposições da referida Portaria:                  
Art. 1º - Nesta fase, dever-se-á proceder à contextualização arqueológica e etnohistórica da área de influência do empreendimento, por meio de levantamento exaustivo de dados secundários e levantamento arqueológico de campo.  
Art. 2º - No caso de projetos afetando áreas arqueologicamente desconhecidas, pouco ou mal conhecidas que não permitam inferências sobre a área de intervenção do empreendimento, deverá ser providenciado levantamento arqueológico de campo pelo menos em sua área de influência direta. Este levantamento deverá contemplar todos os compartimentos ambientais significativos no contexto geral da área a ser implantada e deverá prever levantamento prospectivo de sub-superfície. 
I - O resultado final esperado é um relatório de caracterização e avaliação da situação atual do patrimônio arqueológico da área de estudo, sob a rubrica Diagnóstico.  
Art. 3º  - A avaliação dos impactos do empreendimento do patrimônio arqueológico regional será realizada com base no diagnóstico elaborado, na análise das cartas ambientais temáticas ( geologia, geomorfologia, hidrografia, declividade e vegetação ) e nas particularidades técnicas das obras. 
Art. 4º  - A partir do diagnóstico e avaliação de impactos, deverão ser elaborados os Programas de Prospecção e de Resgate compatíveis com o cronograma das obras e com as fases de licenciamento ambiental do empreendimento de forma a garantir a integridade do patrimônio cultural da área. 
Art. 5º  - Nesta fase, dever-se-á implantar o Programa de Prospecção proposto na fase anterior, o qual deverão prever prospecções intensivas (aprimorando a fase anterior de intervenções no subsolo) nos compartimentos ambientais de maior potencial arqueológico da área de influência direta do empreendimento e nos locais que sofrerão impactos indiretos potencialmente lesivos ao patrimônio arqueológico, tais como áreas de reassentamento de população, expansão urbana ou agrícola, serviços e obras de infra-estrutura. 
§ 1º - Os objetivos, nesta fase, são estimar a quantidade de sítios arqueológicos existentes nas áreas a serem afetadas direta ou indiretamente pelo empreendimento e a extensão, profundidade, diversidade cultural e grau de preservação nos depósitos arqueológicos para fins de detalhamento do Programa de Resgate Arqueológico proposto pelo EIA, o qual deverá ser implantado na próxima fase. 
§ 2º - O resultado final esperado é um Programa de Resgate Arqueológico fundamentado em critérios precisos de significância científica dos sítios arqueológicos ameaçados que justifique a seleção dos sítios a serem objeto de estudo em detalhe, em detrimento de outros, e a metodologia a ser empregada nos estudos. .   
Art. 6º  - Nesta fase, que corresponde ao período de implantação do empreendimento, quando ocorrem as obras de engenharia, deverá ser executado o Programa de Resgate Arqueológico proposto no EIA e detalhado na fase anterior. 
§ 1º - É nesta fase que deverão ser realizados os trabalhos de salvamento arqueológico nos sítios selecionados na fase anterior, por meio de escavações exaustivas, registro detalhado de cada sítio e de seu entorno e coleta de exemplares estatisticamente significativos da cultura material contida em cada sítio arqueológico. 
§ 2º - O resultado esperado é um relatório detalhado que especifique as atividades desenvolvidas em campo e em laboratório e apresente os resultados científicos dos esforços despendidos em termos de produção de conhecimento sobre arqueologia da área de estudo. Assim, a perda física dos sítios arqueológicos poderá ser efetivamente compensada pela incorporação dos conhecimentos produzidos à Memória Nacional.  
Art. 7º - O desenvolvimento dos estudos arqueológicos acima descritos, em todas as suas fases, implica trabalhos de laboratório e gabinete ( limpeza, triagem, registro, análise, interpretação, acondicionamento adequado do material coletado em campo, bem como programa de Educação Patrimonial ), os quais deverão estar previstos nos contratos entre os empreendedores e os arqueólogos responsáveis pelos estudos, tanto em termos de orçamento quanto de cronograma. 
Art. 8º  - No caso da destinação da guarda do material arqueológico retirado nas áreas, regiões ou municípios onde foram realizadas pesquisas arqueológicas, a guarda destes vestígios arqueológicos deverá ser garantida pelo empreendedor, seja na modernização, na ampliação, no fortalecimento de unidades existentes, ou mesmo na construção de unidades museológicas específicas para o caso.          
Neste contexto, o IPHAN posicionou-se no sentido da "completa irregularidade do empreendimento no que diz respeito ao cumprimento da legislação pertinente à proteção do patrimônio cultural brasileiro, considerando-se que os bens culturais nos quais se incluem as formas de expressão, os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artísticos, arqueológicos, paleontológico, ecológico e científico (Art. 216 da Constituição Federal) são protegidos por Lei". Além disso, no tocante aos bens arqueológicos, o IPHAN ressaltou que não foi observada a Lei da Arqueologia (Lei 3.924/61), que proíbe, em seu art. 3º, o "aproveitamente econômico, a destruição ou mutilação, para qualquer fim, das jazidas arqueológicas, antes de serem devidamente pesquisadas" e determina que "qualquer ato que importe na destruição ou mutilação dos monumentos a que se refere esta lei, será considerado crime contra o Patrimônio Nacional e, como tal, punível de acordo com o disposto nas leis penais." Ao cabo de sua manifestação técnica, o IPHAN apontou a necessidade de contratação, pelo empreendedor, "de uma equipe interdisciplinar (arqueólogos, historiadores, arquitetos) para realização de uma Perícia Técnica na Área Diretamente Afetada (ADA) e Área de Influência Direta (AID) do empreendimento em questão."
Como se nota, abstendo-se de realizar os estudos necessários, o réu deixou de cumprir a legislação infraconstitucional, bem assim a Constituição Federal, no seu art. 225, § 1º, IV, verbis:
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º. Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
(......)
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;
Por seu turno, a Lei 6.938, de 1981, no Art. 10, caput, positiva que:
Art. 10. A construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva e potencialmente poluidores, bem como os capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento de órgão estadual competente, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, em caráter supletivo, sem prejuízo de outras licenças exigíveis. (Redação dada ao caput pela Lei nº 7.804, de 18.07.1989, DOU 20.07.1989)
A Resolução CONAMA n. 001, de 1986, por sua vez, estabelece:
    Art. 6º - O estudo de impacto ambiental desenvolverá, no mínimo, as seguintes atividades técnicas:
    I - Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto completa descrição e análise dos recursos ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes da implantação do projeto, considerando:
a)        o meio físico - o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os recursos minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos d'água, o regime hidrológico, as correntes marinhas, as correntes atmosféricas;
b)        o meio biológico e os ecossistemas naturais - a fauna e a flora, destacando as espécies indicadoras da qualidade ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de preservação permanente;
 c) o meio sócio-econômico - o uso e ocupação do solo, os usos da água e a sócio-economia, destacando os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, as relações de dependência entre a sociedade local, os recursos ambientais e a potencial utilização futura desses recursos.
 II - Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, através de identificação, previsão da magnitude e interpretação da importância dos prováveis impactos relevantes, discriminando: os impactos positivos e negativos (benéficos e adversos), diretos e indiretos, imediatos e a médio e longo prazos, temporários e permanentes; seu grau de reversibilidade; suas propriedades cumulativas e sinérgicas; a distribuição dos ônus e benefícios sociais.
 III - Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os equipamentos de controle e sistemas de tratamento de despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas.
 lV - Elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento (os impactos positivos e negativos, indicando os fatores e parâmetros a serem considerados.
    Parágrafo Único - Ao determinar a execução do estudo de impacto Ambiental o órgão estadual competente; ou o IBAMA ou quando couber, o Município fornecerá as instruções adicionais que se fizerem necessárias, pelas peculiaridades do projeto e características ambientais da área
No caso, como ressaltado pelo IPHAN, na manifestação técnica de folha 44/45, o demandado não realizou estudos com vista à identificação dos sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, bem assim as relações de dependência entre a sociedade local, os recursos ambientais e o potencial de utilização futura desses recursos. A omissão do réu quanto ao cumprimento da legislação já autoriza o embargo da obra e a revisão da licença de construção da Barragem Pública. 
Anote-se que o demandado, instado a falar, não juntou aos autos qualquer comprovação no sentido do cumprimento da legislação pertinente à proteção do patrimônio cultural brasileiro, em atenção às exigências do CONAMA e do IPHAN. Deteve-se a falar sobre as medidas adotadas para cumprimento do Termo de Ajuste, deixando à margem a questão do estudo técnico com vista à proteção do patrimônio histórico-cultural, notadamente porque, não tendo observado a legislação, quedou-se sem argumentos de defesa.
Além disso, conquanto já tenha sido objeto de Termo de Ajuste de Conduta, por isso aqui somente referido, a obra vem acarretando dano à comunidade local, especialmente aos moradores da Lapa, em Potiretama/CE, já que até então não instalada a Agrovila prevista no TAC, destinada ao Assentamento dos expropriados atingidos pela construção pública. 
De qualquer modo, no que interessa mais de perto, vê-se que na região afetada pela obras há exemplos explícitos de ofensa ao patrimônio cultural, como são a "Casa de Farinha" e o "Engenho" seculares que eram usados pelo morados da Lapa, a merecer estudo detalhado com vista à proteção histórica e cultural, de modo que a perícia técnica requerida pela autora, que já deveria ter sido feita ao tempo o EIA/RIMA, se impõe com urgência.
Patente, pois, a verossimilhança do direito, além da prova inequívoca, consubstanciada em manifestação técnica do IPHAN. Quanto ao perigo da demora (periculum in mora), decorre da iminência da conclusão das obras, com inundação da área, inviabilizando, com isso, a realização dos estudos técnicos requisitos nesta ação.
Por fim, registre-se que não há risco de irreversibilidade da medida, já que pode a qualquer tempo ser revogada ou cassada com retorno das partes ao status quo ante.
                     
Decisão
                      
Pelos fundamentos expendidos, antecipo os efeitos da tutela para determinar a paralisação da obra da Barragem Figueiredo até que seja realizada a perícia técnica recomendada pelo IPHAN, por equipe interdisciplinar, constituída de arqueólogos, historiadores e arquitetos, e que as recomendações advindas do exame técnico sejam atendidas de modo a mitigar os danos ao patrimônio cultural resultantes da obra pública.
Assino o prazo de 90 (noventa) dias ao réu para que apresente o estudo técnico complementar ao EIA/RIMA, em atenção à disciplina legal, especialmente o disposto nas Portarias do CONAMA  e IPHAN, sob pena de pagar multa diária no valor de R$ 5.000,00, a ser depositada em proveito do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, nos termos dos Artigos 13 e 20 da Lei 7.347, de 1985.
Ciência às partes e ao MPF. Cite(m)-se. Expedientes necessários.
                      
                      Limoeiro do Norte, 09 de agosto de 2011.
                      FRANCISCO LUÍS RIOS ALVES.
                          Juiz Federal - 15ª Vara.