segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Nota da CAI diante da violência contra os indígenas Guaranis no MS

NOTA DA COMISSÃO DE ASSUNTOS INDIGENAS-ABA SOBRE MORTES E DESAPARECIMENTOS DE INDÍGENAS EM MATO GROSSO DO SUL
Profundamente chocada com a escalada de violência que se estabeleceu no estado de Mato Grosso do Sul, tendo como alvo de maneira sistemática comunidades e pessoas Guarani Kaiowa e Guarani Ñandéva, a Comissão de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) vem a público manifestar sua preocupação com algo sem precedentes na história das relações entre os povos indígenas e a sociedade brasileira, que vê com assustadora rapidez aproximar-se uma situação que já está a ser caracterizada como genocídio.
Com efeito, o último fato, datado de 18-11-2011, teve como vítima o líder político e espiritual da comunidade de Guaiviry, que recentemente havia acampado no interior dos espaços por ela indicados como de ocupação tradicional. Segundo relatos de testemunhas, o senhor Nísio, de 59 anos de idade, morreu após ser atingido na cabeça, tórax e braços, seu corpo sendo levado em uma caminhonete, juntamente com dois adolescentes e de uma criança de cinco anos de idade. Todos seguem desaparecidos até o momento. Outras pessoas foram feridas com balas de borracha.
Chama atenção o fato de que procedimentos idênticos ou semelhantes foram utilizados em outros casos, como os seguintes:
1) Em outubro de 2009, uma comunidade Guarani-Ñandéva recém-acampado para reivindicar Ypo’i, seu território de ocupação tradicional, no município de Paranhos, foi atacado por dezenas de homens armados. Sem qualquer tentativa de diálogo, os homens espancaram violentamente os indígenas (homens mulheres, idosos e crianças) e dispararam tiros em várias direções. Para escapar das agressões, os indígenas se dispersaram. Dois professores indígenas, Genivaldo Vera e Rolindo Vera, foram arrastados pelos cabelos e levados pelos agressores. Somente dias depois do ataque o corpo de um deles foi encontrado com marcas de violência, preso a um galho de árvore, num córrego (o Ypoi), a uma distância de 30 quilômetros do lugar onde foram atacados. Do outro professor, até hoje não se tem notícias.
Neste episódio, o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul denunciou seis pessoas, entre os quais políticos e fazendeiros da região. Eles são acusados por homicídio qualificado – sem possibilidade de defesa da vítima -, ocultação dos cadáveres, disparo de arma de fogo e lesão corporal contra idoso. Foram denunciados Fermino Aurélio Escobar Filho, Rui Evaldo Nunes Escobar e Evaldo Luís Nunes Escobar – filhos do proprietário da Fazenda São Luís -, Moacir João Macedo – vereador e presidente do Sindicato Rural de Paranhos-, Antônio Pereira – comerciante da região, e Joanelse Tavares Pinheiro – ex-candidato a prefeito de Paranhos (vide link http://www.prms.mpf.gov.br/servicos/sala-de-imprensa/noticias/2011/11).
Não é só morosidade do inquérito. O Ministério Público Federal precisou solicitar que o caso não fosse arquivado, contrariando a conclusão feita pela Polícia Federal. O procurador da República Thiago dos Santos Luz observou que “é intrigante constatar que pelo menos seis indígenas, as únicas testemunhas oculares dos fatos, em depoimentos detalhados, verossímeis e harmônicos, prestados logo após os crimes, tenham expressamente nominado e reconhecido três indivíduos que participaram direta e pessoalmente do violento ataque a Ypo´i e nenhuma delas tenha sido sequer indiciada pela autoridade policial, que concluiu o caso sugerindo o arquivamento.” (idem).
2) Em dezembro de 2009, foi atacado uma comunidade Guarani-Kaiowa recém-acampado nas margens de uma estrada de chão no município de Iguatemi para reivindicar Mbarakay, seu território de ocupação tradicional. As pessoas viram chegar em vários veículos mais de uma dezena de homens encapuzados, buscando por Adélio Rodrigues, o líder político da comunidade. Gritando pelo  “o cabeludo”, os encapuzados batiam e maltratavam as pessoas, puxando-lhes os cabelos. O xamã Atanásio Teixeira, de 70 anos de idade, uma filha e um neto, entre várias outras pessoas, foram duramente espancados e feridos com balas de borracha. O líder político não foi encontrado apenas porque havia se afastado um pouco antes dos invasores chegarem. Já um filho seu, Arcelino Oliveira Teixeira, de 18 anos de idade, foi levado pelo agressores e dele não se teve mais notícias até hoje.
Sobre este episódio, no site da PR em MS, consta que “o Ministério Público Federal (MPF) em Dourados pediu abertura de inquérito na Polícia Federal em Naviraí para investigar o crime. Foram encontrados dezenas de cartuchos de munição calibre 12 anti-tumulto (“balas de borracha”) e há indício de formação de milícia armada. O MPF trata o caso como genocídio, já que foi cometida violência motivada por questões étnicas contra uma coletividade indígena.” Ainda no site consta que “nas fotos feitas é possível ver as marcas do ataque ao acampamento indígena, como barracos, pertences e alimentos queimados.” (vide http://www.prms.mpf.gov.br/servicos/sala-de-imprensa/noticias/2011/09/).
3) Já em agosto de 2011, em nova tentativa de retornar ao território reivindicado, os grupos de Mbarakay e da comunidade vizinha de Pyelito sofreram diversos ataques semelhantes, com uso de balas de borracha, várias pessoas ficando feridas.
Para além de outros casos – cuja caracterização consta em importante relatório, elaborado pela Dra. Adriana de Oliveira Rocha, Procuradora Federal (MS) a pedido da ABA e colocado em anexo, nestes aqui referidos revelam-se procedimentos surpreendentemente semelhantes. São ações próprias ao que constitui o crime organizado, perpetrado, como se percebe, por grupos paramilitares, que inclusive se utilizam das  chamadas “balas de borracha”, de uso exclusivo de forças policiais.
Uma notícia postada no site do Centro de Mídia Independente no dia 21-11, as 18h04min. diz:
“A empresa de segurança Privada Sepriva, que foi contratada pelos fazendeiros da região de Dourados para exterminar os Guarani Kaiowás, tem uma lista das lideranças Guarani Kaiowá para matar imediatamente e são eles: Cacique Ládio, Vereador Otoniel, Cacique Ambrosio, Cacique Carlitos, sendo que a pior situação é do Cacique Ládio, que está sendo caçado nesse exato momento, pelo fazendeiro Jacinto Honorio da Silva, que matou o Cacique Marcos Veron (…)A policia federal, mandou 3 policiais para enfrentar 50 jagunços da Sepriva e voltaram correndo”.
Tal estado de coisas demanda uma investigação circunstanciada e ações  enérgicas das autoridades!
A não apuração dos responsáveis pelos crimes praticados contra os indígenas Guaranis não pode coexistir com o reconhecimento dos seus direitos constitucionais, do seu direito à vida e à proteção de sua continuidade étnica e cultural. Como se constata, no que resguarda aos indígenas  Mato Grosso do Sul vem a caracterizar-se  como algo inteiramente à margem de um verdadeiro estado democrático de direito. Cabe ao Estado Nacional brasileiro fazer-se presente de modo mais eficaz, atuando para identificar, aplicar as sanções e coibir práticas, que se configuram, ao fim e ao cabo, como uma situação de verdadeiro genocídio.
No Brasil a Lei 2.889, de 01-10-1956, define em seu artigo primeiro como crime de genocídio “quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal”. Ali são estabelecidas cinco clausulas para a concretização deste delito, das quais as três primeiras colocamos a seguir” a) Matar membros do grupo; b) Causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo; c) Submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial”.
Efetivamente, não se trata aqui apenas de morte ou desaparecimento de pessoas (de modo individual), mas de uma gravíssima situação de tensão social, que torna o medo do extermínio físico, das torturas e das humilhações um componente cotidiano da existência destas comunidades Guarani- Kayowá e Guarani-Ñandeva, em flagrante violação de direitos prescritos pela Constituição aos indígenas e pelas convenções internacionais das quais o Brasil é signatário.
Até o momento, as iniciativas de punir os responsáveis por essas ações de assassinato e tortura têm, de um modo geral, se demonstrado totalmente ineficazes, alimentando a crença na mais completa impunidade dos seus executores e mandantes, contribuindo para que os se julgam prejudicados pelos indígenas optem por investir não em soluções de negociação, mas na confrontação aberta e no uso explícito e reiterado da força.
Tal quadro tem levado os indígenas à condição de mais completa penúria, sobrevivendo em condições subumanas de privação, acossados pelo terror e pelo desespero. Apesar disto persistem em sua disposição de recuperar suas terras de ocupação tradicional, movidos pela expectativa de cumprimento pela sociedade brasileira dos mais elementares princípios de justiça. A sua resistência é pacífica, consubstanciada através de ações não violentas, que envolvem totalmente famílias e comunidades, e estão totalmente articuladas  com seu sistema cosmológico e suas práticas religiosas.
Deve-se ressaltar ainda que, com as características de sistematicidade aqui descritas, esses fatos tiveram início em decorrência de uma iniciativa do Estado Brasileiro de justamente fazer cumprir sua responsabilidade exclusiva, realizando o previsto no artigo 231 da Constituição Federal brasileira, com o reconhecimento das terras de ocupação tradicional destas coletividades. A implementação, pela FUNAI, de seis grupos técnicos (GTs) de identificação e delimitação de terras, resultou de um Termo de Ajustamento de Conduta celebrado em 2007 entre a FUNAI e o Ministério Público Federal de Dourados (Mato Grosso do Sul). A divulgação deste TAC foi recebida com grande hostilidade por parte de segmentos locais, configurando-se um forte e complexa rede de ações e atores comprometidos com a firme intenção  de obstruir a  sua realização.
Um primeiro movimento nesta direção foi configurado por dezenas de recursos interpostos judicialmente contra os Grupos de Trabalho organizados pela FUNAI, fundamentalmente por iniciativa da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Mato Grosso do Sul (Famasul). “Desde 10 de julho de 2008, quando a FUNAI publicou as portarias [de números 788, 789, 790, 791, 792 e 793], comunicando a decisão de vistoriar áreas de produtores rurais da região Sul do Estado, a FAMASUL tem articulado ações políticas e judiciais a favor do desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul.”(vide site http://www.pensenissosociedade.com.br).
Além de ações pulverizadas de seus federados, a Famasul moveu duas principais ações: uma no sentido da suspensão mesma dos processos demarcatórios e outra no sentido de obrigar a FUNAI a notificar previamente todos os proprietários rurais que estivessem no raio de ação dos trabalhos destes 6 GTs, sem o que os estudos não poderiam ser realizados. “Em 11 de agosto de 2008, os produtores tiveram a garantia de que a Funai, obrigatoriamente, irá notifica-los sobre as propriedades rurais que seriam vistoriadas, os produtores garantiram a obrigatoriedade da FUNAI em comunicar previamente quais as propriedades rurais seriam vistoriadas. De lá para cá, foram movidas 32 ações em prol da garantia do direito de propriedade na região sul do Estado.”
Já em outro site (http://www.paznocampo.org.br/Blog/popposts.asp?id=293), lemos: “A Famasul que tentava desde novembro de 2008 recursos para a suspensão dos processos demarcatórios teve em primeira instância o pedido negado. A instituição apelou para o TRF e a decisão de suspender as vistorias foi proferida no dia 22 de julho de 2009“. Mais adiante,  em agosto de 2010 o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluzo, cassou três liminares favoráveis à Famasul, que visavam a notificação prévia aos produtores rurais. Na decisão, o ministro afirmou que o decreto 1.775, de 1996, que regulamenta a demarcação de terras indígenas, não prevê a notificação dos proprietários. Um dos argumentos era a dificuldade que a Funai teria para realizar os estudos caso tivesse que notificar previamente todos os ocupantes e posseiros das propriedades rurais espalhadas por 26 municípios de Mato Grosso do Sul.
Um segundo movimento interposto foi o do próprio governador do estado, André Puccinelli, ao  manifestar-se publicamente e em reiteradas oportunidades contra o trabalho dos GTs. A  pretexto de tornar mais transparentes tais atividades, o governador  pressionou  a FUNAI para a inclusão de técnicos de agências estaduais, frequentemente identificados com interesses contrários aos indígenas, como componentes dos Grupos Técnicos, dificultando assim o exercício  da pesquisa antropológica e de uma interlocução mais adequada com os indígenas
Tal fato, que gerou forte oposição dos antropólogos coordenadores dos GTs, por considerá-lo clara interferência nos procedimentos regulares, contou com a anuência do órgão indigenista. O que não impediu que o governador continuasse atuando plenamente contra tais GTs, chegando a propor um fundo (estadual) para a contratação de antropólogos que dessem suporte aos proprietários rurais no acompanhamento dos trabalhos.
Além de nociva aos trabalhos do GT, tal providência se configura como desnecessária. Os procedimentos de identificação de terras indígenas são normatizadas pelo decreto 1775/96, que prevê a publicização do processo administrativo (os relatórios tem seu extrato transcrito no DOU). Segue-se a isto a abertura de um período para o exercício do contraditório, durante o qual as partes que se julguem lesadas, assim como seus representantes e advogados, tenham pleno acesso a todas as peças do processo administrativo, bem como a manifestar-se da forma que desejar, seja com a juntada de documentos, provas e argumentações que considerem necessárias à comprovaçãso de seus pontos de vista. A equipe técnica da FUNAI está obrigado a responder adequadamente a todos os pontos levantados, só então submetendo todo este material à consideração do Ministro da Justiça.
Um terceiro movimento foi buscar intimidar os antropólogos, com pessoas armadas que em veículos não  identificados  perseguiam e ameaçavam os carros  utilizados nos trabalhos dos GTs. Disto, houve registro em diversos boletins de ocorrência policial. No dia 03/08/2008 os antropólogos Paulo Delgado e Ruth Silva, que viajavam em viatura da FUNAI e com motorista do órgão, deram queixa ao Departamento de Operações de Fronteiras (DOF) por terem sido perseguidos por longo tempo na estrada MS-295 por um carro que chegou a desenvolver 160 km por hora.  Mais tarde detido o veículo e identificados seus ocupantes (que eram empregados de uma fazenda próxima) foram apreendidas câmeras fotográficas e celulares com dispositivo para fotos.  mas liberados os acusados. A partir de então a passagem por fazendas durante a realização dos estudos antropológicos somente ocorria com a presença da Policia Federal.
Um quarto movimento foi o de deflagrar através da imprensa (com destaque para os jornais “O Progresso” e “A Gazeta”,de Amambai) uma verdadeira campanha anti-indígena, publicando  constantemente editoriais e matérias, preconceituosas,  insuflando atitudes racistas e divulgando  informações enganosas e alarmistas a respeito dos GTs  e dos possíveis resultados de seus trabalhos.  As violências praticadas contra os indígenas são inteiramente escamoteadas, enquanto as vitimas são criminalizadas.
As agressões armadas contra as comunidades Guaranis, acompanhada da morte de lideres que assinaram o TAC-2007, do seqüestro de jovens e da pratica da tortura constitui o quinto movimento, o elo final desta escalada de ações que visam implantar o terror entre os indígenas e demove-los de qualquer pleito quanto ao reconhecimento de seus direitos. Fala-se hoje em cerca de 25 acampamentos de grupos de famílias extensas  Guaranis localizados em beiras de estradas ou ameaçadas de despejo em pequenos trechos de fazendas.
As famílias indígenas interpretam o atual estado de indigência em que se encontram como consequência da impossibilidade de restabelecerem seus vínculos com os espaços territoriais dos quais são originárias e que lhes foram concedidos no passado por personagens de sua cosmologia. Só em suas áreas de ocupação tradicional, carregada de sua historia e de sua cultura, e que elas poderão reencontrar o seu equilíbrio e desenvolver adequadamente o seu modo de bem viver.
Os indígenas não querem  apossar-se de bens ou propriedades dos brancos, nem muito menos poderiam pretender – como agricultores dedicados que são – obstaculizar o desenvolvimento de Mato Grosso. Segundo o seu modo de pensar e de agir estão apenas buscando pacificamente o reconhecimento de suas terras tradicionais, nas quais possam manter uma vida digna e adequada aos seus padrões  socioculturais.
Não praticam jamais retaliações nem represálias, todas suas ações de resistência são inteiramente pacificas e incluem toda a comunidade. Os lideres espirituais, articulados com intelectuais e estudantes indígenas no Ati_Guacu, reivindicam assim o direito de ir aos acampamentos atacados para praticar rituais, dar conforto aos vivos e acalmar os espíritos.
Perante este gravíssimo quadro de ameaças as comunidades Guaranis de MS, o Estado Brasileiro precisa urgentemente recobrar o controle da situação, adotando as seguintes providências:
  • apurar rigorosamente as responsabilidades sobre todos os atos de violência realizadas contra pessoas e coletividades indígenas  Guarani em MS, indiciando a todos os culpados, encerrando de uma vez por todas com o ciclo de impunidade, que só estimula o agravamento do conflito;
  • fornecer proteção especial aos lideres Guarani ameaçados, integrando-os no programa de proteção aos defensores dos direitos humanos, desenvolvida pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. Isto diz respeito em especial aos coordenadores do Ati Guacu  (Tonico, Otoniel e Eliseo),  bem como aos lideres que subscreveram o TAC-2007;
  • assegurar a assistência regular as famílias localizadas nos acampamentos, permitindo a prestação indispensável de serviços médico-sanitários, educacionais e  de promoção sócio-econômicas.  Para isto as equipes oficiais devem contar com o presença e apoio permanente da Policia Federal e da Força Nacional;
  • as visitas de solidariedade dos integrantes do Ati Guaçu às famílias acampadas e ameaçadas devem contar com  esquema de proteção idêntico  ao das atividades assistenciais elencadas no item anterior;
  • conclusão dos trabalhos dos GTs, com a formação de processos administrativos que possam atender  aos reclamos das famílias Guaranis por suas áreas de ocupação tradicional, o que exige o término não só dos relatórios antropológicos, mas também dos levantamentos fundiários e dos calculo de benfeitorias indenizáveis, a confecção dos memoriais descritivos e a publicação dos resumos no DOU;
  • aproveitar os estudos realizados pelos GTs como subsídios importantes (entre outros) para a definição de uma política do Estado Brasileiro junto ao povo Guarani, na qual sejam estabelecidos procedimentos justos e eficientes de reparação dos impactos negativos por eles sofridos nos últimos anos ,  bem como pensar em mecanismos que possam contribuam para uma futura  convivência interétnica harmônica e respeitosa das diferenças.
Brasília, 06 de dezembro de 2011.
João Pacheco de Oliveira
Coordenador da Comissão de Assuntos Indígenas
http://www.abant.org.br/news/show/id/194
Enviada por Ricardo Álvares.

Índios Xikrin enviam carta de apoio à atuação do MPF no caso Belo Monte

A carta é uma resposta dos índios às acusações da AGU contra o procurador Felício Pontes Jr, que atendeu a um convite dos índios para falar dos impactos da usina em outubro
Belém, 13 de dezembro de 2011

Os índios Xikrin do Bakajá enviaram ao Ministério Público Federal em Altamira uma carta em que apóiam a atuação do MPF no caso de Belo Monte e relatam as reuniões que tiveram em outubro com o procurador da República Felício Pontes Jr para tratar dos impactos da usina sobre o rio Bacajá, onde eles vivem.

“Os anciãos, as mulheres e os jovens das aldeias vivem preocupados com o futuro da comunidade e do nosso rio Bacajá, por causa de Belo Monte. Muitas equipes da Eletronorte, Funai e Norte Energia visitaram as aldeias, fazendo muitas promessas, dizendo que a gente vai ter emprego, que vai ter melhorias para a comunidade. Mas ninguém esclarecia sobre a barragem e seus impactos. Até hoje os estudos sobre o que vai acontecer estão em andamento. Belo Monte esta sendo construída, a gente ainda não sabe o que vai acontecer com a nossa vida e em nosso rio e nenhuma daquelas promessas foram cumpridas”, diz a carta, assinada pelas lideranças da Associação Beby Xikrin.

A Terra Indígena Trincheira-Bacajá, onde moram os Xikrin em oito aldeias, fica às margens do rio Bacajá, que é um tributário do Xingu e deságua precisamente na Volta Grande, onde o volume de água deve ser reduzido entre 80% e 90% por causa da instalação das barragens de Belo Monte. Apesar dos Estudos de Impacto Ambiental de Belo Monte terem sido entregues em 2009 e dos Xikrin serem considerados impactados pelo empreendimento, até hoje os impactos e respectivas compensações a eles não foram esclarecidos.

Quando convidaram o MPF para conversar sobre a situação, os Xikrin estavam já há dois anos tentando obter informações mais claras do governo e do empreendedor. “O medo do que pode acontecer com a gente e a necessidade de conhecer nossos direitos e o que a gente pode fazer para se defender, levou nossa comunidade a convidar mais uma vez o procurador Felício Pontes. Ele é o advogado do povo indígena, conhece nossos direitos”, diz a carta dos Xikrin. 

“Quinze anos atrás, Felício esteve na aldeia Bakajá quando tivemos um problema de invasão de nossas terras. Felício veio e resolveu o problema. Por isso ele tem nosso respeito e confiança”, afirmam os índios. “Nosso povo ficou muito feliz com a visita porque Felício ouviu nossas preocupações e ajudou o povo a entender melhor como funciona uma barragem, como ela pode mudar nosso rio, os peixes e a caça. Também nos explicou que a Constituição diz que temos direitos sobre nosso território e nosso rio e que, se Belo Monte muda toda nossa vida - porque vai secar nosso rio, e mudar para sempre a pesca, a caça e a navegação -, então temos que ser compensados por essas perdas”, explicam. 

Os Xikrin se dizem com “muita raiva do governo”, se sentem “enganados”. “As obras de Belo Monte estão indo rápido, mas a gente ainda nem sabe o resultado dos estudos do rio Bacajá. Ninguém sabe o que vai acontecer de verdade, não aconteceu quase nada das promessas de melhorias para nossa comunidade”, 

O documento dos índios esclarece ainda a questão que motivou até reportagens jornalísticas sobre a conversa entre o procurador e os índios: “Só o que temos é o recurso do plano emergencial de 30 mil reais por aldeia, que não chega em todas as aldeias. Quando a Norte Energia e o governo falam com a gente sobre Belo Monte, falam de dinheiro. E é por isso que o Felício falou com a gente disso, para esclarecer a gente. O Felício é a única pessoa que está ajudando a gente, que a gente confia, e agora querem tirar ele, não deixar ele ajudar mais a gente. O povo Xikrin quer que ele fique”, conclui a carta. 

Por causa da visita aos Xikrin, a Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com uma nova representação contra o MPF. Será a quarta vez que o MPF responde ao Conselho Nacional do Ministério Público por causa da atuação em defesa dos povos atingidos pela usina de Belo Monte.

Na primeira vez, em 2010, a AGU tentou censura ao procurador da República Rodrigo Timóteo Costa e Silva e ao promotor de Justiça Raimundo Moraes depois das tumultuadas audiências públicas de Belo Monte, que são objeto de um processo judicial movido pelo MPF e pelo MP do Estado do Pará. Essa representação foi arquivada. 

Na segunda representação, em 2011, foram os advogados da Norte Energia S.A que entraram no CNMP contra o MPF, na pessoa do procurador Felício Pontes Jr, porque ele mantém na internet um blog em que conta os problemas judiciais da usina. Essa representação também foi arquivada. 

Ainda em 2011, outra petição da AGU, dessa vez um pedido de providências em que se tenta podar a atuação extra-judicial do MP em casos de grandes obras – incluindo o caso de Belo Monte – e questionando as recomendações enviadas a agentes públicos responsáveis pelo licenciamento. Esse caso ainda não foi apreciado pelo CNMP. Até agora, nem o MPF nem o procurador Felício Pontes Jr foram notificados oficialmente da última representação.


Ministério Público Federal no Pará
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Jornalista sofre ameaças de morte em Belo Monte

O jornalista Ruy Sposati, que trabalha para o movimento “Xingu Vivo para Sempre”, sofreu ameaças de morte ao acompanhar nesta segunda-feira (12) a demissão de 80 trabalhadores do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM), na rodovia Transamazônica, em Altamira (PA). Dois homens não identificados se aproximaram do jornalista, do lado de fora do prédio da CCBM, para ameaçá-lo.
De acordo com depoimento colhido pelo procurador Bruno Gütshow, do Ministério Público Federal (MPF) do Pará, um dos homens chamou o jornalista de “vagabundo”, e o outro o ameaçou de morte repetidamente. As agressões voltaram a ocorrer quando Sposati estava registrando a cena.
Repetindo os insultos, o primeiro homem afirmou que a policia não poderia ser fotografada e tentou tomar o equipamento, o que não ocorreu em função da interferência dos trabalhadores. Os policiais presentes assistiram à cena e não interferiram, mesmo após serem interpelados pelo jornalista.
Sposati tentou registrar boletim de ocorrência na polícia após o ocorrido, mas o delegado de Altamira afirmou que estava com déficit de escrivão, uma vez que ocorreram cinco homicídios de domingo para segunda, e pediu gentilmente que retornasse nesta terça, às 8 horas da manhã.
As ameaças ocorreram assim que o jornalista chegou no local, após ser avisado por trabalhadores que homens da Polícia Militar (PM) estavam escoltando trabalhadores do canteiro de obras da usina de Belo Monte para serem demitidos no escritório do consórcio.
Segundo Sposati, um homem em uma caminhonete prata, o abordou com agressividade, usando termos como “vagabundo” e “baderneiro”. “Eu vou te matar é agora mesmo”, disse ao repórter.
Depois que se identificou como jornalista, ainda de acordo com o depoimento prestado ao MPF-PA, o homem tentou arrancar a câmera fotográfica das mãos de Sposati. A confusão só terminou com a interferência dos próprios trabalhadores que aguardavam pagamento das rescisões contratuais.
O jornalista não conseguiu registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil, mas fez a denúncia à Procuradoria da República em Altamira, que encaminhou o caso para o Procurador-Geral de Justiça (do Ministério Público Estadual) e para o Corregedor da Polícia Militar no Pará.
No depoimento, o jornalista assinalou que a caminhonete prateada, de placas JUV-2118, de onde saiu o homem que fez as ameaças, foi identificada posteriormente como de propriedade da PM.
A investigação sobre as ameaças deve ficar a cargo do MP Estadual porque é da competência da Justiça Estadual e da Justiça Militar. E a corregedoria da PM foi comunicada para que apure se pertence à corporação o autor das ameaças e porque estava usando o carro oficial nessas circunstâncias.

Indígenas permanecem sem respostas concretas após negociação sobre Belo Monte

Das 18 demandas apresentadas pelos indígenas ao governo, boa parte ficou sem resposta concreta. Em tarde conturbada, movimentos sociais e sociedade civil foram proibidos de participar de reunião que tratou do descumprimento das condicionantes para a construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). Até mesmo funcionários da Funai foram convidados a se retirar. A proposta de retirada dos observadores partiu do governo e foi acatada pelos indígenas.


Mais de 200 indígenas das etnias Xipaya, Xikrin, Kuruaya, Arara, Juruna, Assurini, Araweté, Parakanã e Kayapó se reuniram em Altamira (PA), no dia 1º de dezembro, para cobrar respostas sobre o cumprimento de medidas relacionadas aos impactos gerados pela usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), em suas aldeias. Junto aos índios, representantes de movimentos sociais da região e da sociedade civil aguardavam as justificativas oficiais em relação ao desrespeito do governo e da Norte Energia (Nesa) – consórcio vencedor do leilão de Belo Monte – em relação à obra até que foram expulsos do local.

Reunião entre índios e governo na Casa do Índio, em Altamira, aconteceu com a exclusão do movimento social


A opção dos indígenas – por medo de perder o raro espaço de interlocução com o governo – foi a de seguir a indicação e retirar do local os observadores presentes na Casa do Índio de Altamira. “Fiquei surpreso ao ver que uma das condições do governo democrático e popular, eleito pelo povo, tenha sido a exclusão (para não dizer expulsão) do movimento social da reunião entre os índios e representantes da Presidência da República. A impressão que se teve foi de que o governo não queria que se soubesse que tipo de “negócio” estava sendo feito entre a Nesa e os povos indígenas – que estão certamente entre as principais vítimas de todo o processo”, diz o antropólogo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Eduardo Viveiros de Castro, um dos convidados a sair do local.
A reunião, por fim, aconteceu sem a presença dos observadores e terminou com poucas respostas concretas e muitos encaminhamentos vagos. Estavam presentes funcionários da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Defensoria Pública do Estado e da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos, além de membros do Ministério Público Federal em Altamira e do diretor de Assuntos Socioambientais da Nesa.
As demandas
O cumprimento das condicionantes, em especial a solução da situação de conflito da Terra Indígena (TI) Apiterewa, ocupada por não índios e sem previsão de desintrusão, foi uma das primeiras demandas dos indígenas discutida na reunião. Muitos pediram a paralisação da obra, sobretudo, porque as obrigações da Nesa – definidas nas condicionantes para liberação das licenças ambientais para construção da usina – não estão sendo cumpridas pelo consórcio. (Leia a ata da reunião aqui).
Em resposta às demandas indígenas, na quarta-feira (7), o MPF de Altamira entregou uma requisição ao consórcio Norte Energia, pedindo relatório completo sobre o cumprimento das ações de redução dos atuais e futuros impactos socioambientais causados aos indígenas pela instalação da usina. Na solicitação ao consórcio, o procurador Bruno Gütschow dá prazo de 10 úteis dias para que a resposta seja apresentada. A Nesa tem então até o dia 21 de dezembro para entregar o relatório.
Oitivas
As oitivas mais uma vez voltaram à cena nesta reunião. Diferentemente do que alegam o governo e a Funai, os indígenas continuam negando que elas tenham sido feitas em suas terras. De acordo com os índios, “o pessoal de Belo Monte apenas foi às aldeias falar sobre o processo de instalação da empresa, e o Ibama também não realizou oitivas”. Diante disso, eles exigem a paralisação das obras até que as mesmas sejam realizadas. A pauta, porém, foi descartada durante a reunião. Os representantes do governo se negaram a discutir o ponto e passaram por cima das reivindicações indígenas.
A irregularidade é, inclusive, motivo de medidas cautelares da Comissão Interamericana de Direitos Humanos contra o Brasil e de Ação Civil Pública do MPF na Justiça. Em novembro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, considerou que os indígenas não têm direito às oitivas. Apesar do voto brilhante da desembargadora Selene de Almeida, os votos dos desembargadores João de Deus e Maria do Carmo foram pelo indeferimento da ação, defendendo a tese do governo de que neste caso não cabe a aplicação do dispositivo constitucional, pelo fato da obra não ser instalada dentro do perímetro formal das Terras Indígenas afetadas pelo empreendimento. (Saiba mais).
Para a advogada Biviany Rojas, do Instituto Socioambiental, a interpretação do TRF anula o dispositivo constitucional e contradiz os compromissos internacionais do Brasil com relação aos direitos fundamentais dos povos indígenas. “O desvio do Rio Xingu nas Terras Indígenas Arara da Volta Grande e Paquiçamba não é considerado como aproveitamento energético dos recursos hídricos das mencionadas Terras Indígenas", explica. "O caso de Belo Monte representa um retrocesso no Judiciário diante da necessidade de estabelecer regras claras para o aproveitamento energético dos rios da Amazônia onde estão mais de 90% das Terras Indígenas do País." O MPF ainda deve recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra essa decisão.
Plano Básico Ambiental e recursos
Os índios também criticaram duramente os trâmites do Plano Básico Ambiental (PBA) – um conjunto de medidas para minimizar ou “solucionar” problemas causados pela usina. Segundo o que foi acordado, os estudos de impacto seriam apresentados aos indígenas antes de sua finalização e aprovação, o que não ocorreu. De acordo com o representante da Nesa, o PBA já está pronto, mas, se for necessário, a empresa voltará às aldeias para “conversar”.
Hoje, as aldeias afetadas pelo empreendimento recebem uma verba de R$ 30 mil mensais previstos num plano emergencial para mitigação de impactos de Belo Monte. O recurso deveria ser repassado pela Nesa às aldeias, mas segundo os indígenas, tem sofrido desvios, malversação e é aplicado apenas na compra de produtos que devem ser solicitados pelas aldeias por meio de listas de compras. De acordo com os indígenas, os produtos são superfaturados, não chegam às aldeias, e quando chegam, são de péssima qualidade. Os índios pediram ainda que os benefícios fossem estendidos às outras aldeias criadas nesse período – nove, no total – e também exigiram um aumento do valor, considerado insuficiente, e que os pagamentos ocorram enquanto a usina de Belo Monte existir.
Diante das denúncias de malversação das verbas, a Nesa se comprometeu a “verificar as discrepâncias e depois justificá-las melhor”. Por outro lado, exigiu que os indígenas justificassem o pedido de aumento do valor, para que o consórcio possa discutir a questão com a Funai. De qualquer forma, os recursos só serão pagos até dezembro de 2012 e não pelo período de existência da usina, avisou a empresa. Já para outro plano de repasses – destinado a projetos de fortalecimento cultural –, que atualmente prevê R$ 50 mil às aldeias, a empresa concordou em aumentar o valor para R$ 80 mil, apesar da demanda ter sido R$ 150 mil.
"O que está acontecendo é um processo comum de que se você não pode contra eles, compre-os. É o que estamos vendo com esses recursos repassados aos índios. Não só eles foram comprados, mas a Funai também, porque não tem recursos e vira agente nesse processo das compras. Estamos matando com dinheiro. É uma expressão forte, mas isso é um etnocídio com recurso, onde se despeja dinheiro numa comunidade e ela que se intoxique, se mate com esse consumo. E isso é o que o governo chama de mitigação. Imagina se não fosse", diz Viveiros de Castro sobre as listas de compras, durante encontro de pesquisadores, realizado em Altamira, na mesma semana da reunião dos índios com o governo.
Ficou determinado que em 25 de janeiro de 2012 uma nova reunião será realizada em Altamira para criação do Comitê Gestor do Plano Básico Ambiental Indígena. O documento deve descrever detalhadamente ações que permitam aos povos indígenas garantirem um desenvolvimento 'auto-sustentável'. "Até parecia estar bom pra gente, mas eu já não acredito em nada que eles (governo) dizem", afirma Bebere Bemarai, liderança do povo Xikrin ao final da reunião.
(Com informações do Movimento Xingu Vivo Para Sempre e Ministério Público Federal)


http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3482

MS – A demarcação da Terra Indígena Panambi, em duas versões

O filme Estudo prevê aumento da área da reserva indígena em Douradina, em Mato Grosso do Sul foi divulgado pela Globo Vídeos (http://video.globo.com).
Leia, abaixo, notícia postada ontem neste Blog, com o título MPF: Portaria identifica e delimita Terra Indígena Panambi, na região de Dourados e veja como a mesma notícia é apresentada em diferentes versões:
Por racismoambiental, 13/12/2011 11:16
Mais de 12 mil hectares entre Douradina e Itaporã foram reconhecidos como de tradicional ocupação indígena. Parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Justiça admite possibilidade de indenizar proprietários de terras demarcadas.
A Portaria 524, da Fundação Nacional do Índio (Funai), publicada no Diário Oficial da União de ontem (12), com base em laudos antropológicos, reconhece a Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica, localizada nos municípios de Douradina e Itaporã na região sul de Mato Grosso de Sul. Segundo Relatório de Identificação e Delimitação, a área reconhecida ocupa superfície de 12.196 hectares e perímetro aproximado de 63 Km.
A Terra Indígena Panambi é da etnia Guarani-kaKowá, o maior grupo indígena do estado, com mais de 46 mil pessoas. Atualmente, vivem na região 832 índios, numa área de 366 hectares. O grupo indígena foi expulso do local no final do século XVIII para dar espaço ao cultivo da erva-mate. Na época, as terras tradicionalmente indígenas foram consideradas por muitos como devolutas e títulos oficiais foram emitidos pela União e entregues a produtores rurais.
A área identificada ocupa hoje parte de 72 propriedades. Parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Justiça opina pela possibilidade de indenização de títulos emitidos pela União incidentes em terras reconhecidas como indígenas. Segundo o Ouvidor Nacional de Direitos Humanos, Domingos Sávio Dresch da Silveira “há sinalização pela aprovação do parecer pela Presidência da República com a consequente vinculação da administração pública federal”.
Demarcação necessária
O estudo publicado pela portaria afirma que nos 366 hectares em que estão os Kaiowá de Panambi-Lagoa Rica não há mais matas, matérias-primas ou animais de médio porte. Parte significativa do consumo dos índios provém de recursos obtidos através da venda de mão de obra, da aposentadoria e de projetos sociais mantidos pelo governo.
“A demarcação desta terra indígena cria uma importante condição para que muitas famílias façam o caminho de volta, o mesmo pode ser dito para outras tantas que, por pressões sociais ou políticas, trocaram Panambi – Lagoa Rica pela Reserva de Dourados ou pela precariedade dos acampamentos”, enfatiza o laudo antropológico.
http://povosindigenasrs.wordpress.com/2011/12/12/mpfms-portaria-identifica-e-delimita-terra-indigena-panambi-na-regiao-de-dourados/

MPF/PA comunica ameaças de morte em Belo Monte à Corregedoria da PM e ao MP Estadual

Em documentos enviados ontem mesmo, procurador da República em Altamira informa denúncias de ameaça ao jornalista Ruy Sposati, que cobria demissões na obra de Belo Monte
O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) recebeu nesta segunda-feira, 12 de dezembro, denúncia de ameaças de morte contra o jornalista Ruy Sposati, que trabalha para o movimento Xingu Vivo para Sempre e estava acompanhando demissões de trabalhadores em um escritório do Consórcio Construtor de Belo Monte na rodovia Transamazônica.
As ameaças ocorreram assim que o jornalista chegou ao local, ontem pela manhã, após ser avisado por trabalhadores que homens da Polícia Militar (PM) estavam escoltando trabalhadores do canteiro de obras da usina de Belo Monte para serem demitidos no escritório do consórcio. Segundo Sposati, um homem em uma camionete prata o abordou com agressividade, usando termos como “vagabundo” e “baderneiro”.“Eu vou te matar é agora mesmo”, disse ao repórter.
Depois que ele se identificou como jornalista, ainda de acordo com o depoimento prestado ao MPF/PA, o homem tentou arrancar a câmera fotográfica das mãos de Sposati. A confusão só terminou com a interferência dos próprios trabalhadores que aguardavam pagamento das rescisões contratuais. Os homens da PM que, fardados, faziam um cordão de isolamento em torno do prédio do consórcio, não intervieram.
O jornalista não conseguiu registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil ontem, mas fez a denúncia à Procuradoria da República em Altamira, que encaminhou o caso para o procurador-geral de Justiça (do Ministério Público Estadual) e para o corregedor da Polícia Militar no Pará.
No depoimento, o jornalista assinalou que a camionete prateada, de placas JUV-2118, de onde saiu o homem que fez as ameaças, foi identificada posteriormente como de propriedade da PM.
A investigação sobre as ameaças deve ficar a cargo do MP Estadual porque é da competência da Justiça Estadual e da Justiça Militar. E a corregedoria da PM foi comunicada para que apure se pertence à corporação o autor das ameaças e porque estava usando o carro oficial nessas circunstâncias.
http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_criminal/mpf-pa-comunica-ameacas-de-morte-em-belo-monte-a-corregedoria-da-pm-e-ao-mp-estadual

Belo Monte - Anúncio de uma Guerra

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QUERIDOS CINEASTAS,

Agradecimento oficial

Estamos fazendo história! Hoje vocês fazem parte do maior caso de financiamento coletivo em plataforma aberta do Brasil, que mais do que um filme, é uma movimentação de um grupo de pessoas que não estão satisfeitas com a política do país, e exigem acesso à informação e mais participação.

Somos extremamente gratos à maneira como vocês abraçaram essa iniciativa, contribuindo de diversas maneiras e divulgando incansavelmente para que outros contribuíssem também. Graças a vocês esse filme já está nascendo com mais de 3 mil apoiadores, o que faz dele um filme revolucionário desde o princípio!

Tenham certeza que através desse projeto vocês estão investindo num dos debates mais importantes da atualidade, pois Belo Monte diz respeito à política energética, determinante para o futuro do Brasil e o tipo de desenvolvimento que queremos no longo prazo. Somente com debates como esse conseguiremos quebrar paradigmas, desconstruir falsas verdades e traçar melhores rumos para o país.

Atingimos nossa meta em apenas 15 dias de campanha (metade do prazo previsto inicialmente), agora nosso compromisso é entregar o filme para vocês na internet. A data prevista para essa lançamento web é março/abril de 2012.

É importante ressaltar que o valor arrecadado até agora não cobre os custos necessários para levar o filme aos cinemas, o que vai contribuir muito para o debate e a transparência em relação à Belo Monte e seu impacto socioambiental. Por isso enquanto a campanha estiver no ar, CONTINUEM DIVULGANDO! Quanto mais conseguirmos arrecadar, mais longe o filme vai chegar.

Vamos às ruas!

Lembramos a todos que esse sábado (17/12) será o Dia de Luta Contra Belo Monte e estão marcadas manifestações no Brasil inteiro. Assim como o filme, a ida às ruas é fundamental para chamar a atenção da sociedade e dos governantes para essa dicussão, gerando mais debates sérios acerca do tema. A manifestação de São Paulo começa no MASP (Av. Paulista) às 14h e nossa equipe estará lá para registrar esse momento histórico e participar do protesto. Clique aqui para ver o convite do evento no facebook.

Mantendo contato

Queremos conhecer melhor nossos cineastas, então pedimos que vocês preencham esse questionário rápido (leva só 2 minutinhos) e continuem seguindo o filme nas redes sociais (Facebook e Twitter) para acompanhar o andamento do nosso trabalho e contribuir com críticas e sugestões.

Obrigado por tudo!

Abraços a todos,

Equipe
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