sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ibama e Funai desativam exploração ilegal de madeira em terra indígena no Amazonas


No último fim de semana, equipes do Ibama e da Funai, com apoio da Policia Militar, desativaram uma exploração ilegal de madeira na Terra Indígena Sepoti, município de Manicoré/AM.  Foram apreendidos pelo Ibama dois tratores e 61 toras de madeira medindo 161 metros cúbicos.  Também, foram apreendidas pela Policia Militar uma caminhonete, uma pick-up e uma moto.
Durante a ação, houve manifestação de cerca de 200 madeireiros, que bloquearam a rodovia BR-230, na Vila de Santo Antonio de Matupi e reivindicaram que os tratores fossem depositados na própria Vila.  O Ibama atendeu à reivindicação e a situação foi contornada pacificamente.
A madeira será doada aos indígenas Tenharin, os tratores ficaram depositados na Associação de Produtores Rurais de Santo Antonio do Matupi, enquanto que os demais veículos foram entregues à Delegacia de Policia Civil de Apuí, onde também foi registrado boletim de ocorrência.
http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=392249

Aberto edital para audiências públicas para UHE São Manoel, também no Rio Teles Pires

INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS - DIRETORIA DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL - EDITAL DE 18 DE AGOSTO DE 2011: O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA torna público que recebeu o Estudo de Impacto Ambiental - EIA e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental - RIMA, do empreendimento denominado Aproveitamento Hidrelétrico São Manoel, composto por usina hidrelétrica com potência instalada de 700 MW, com reservatório de área total de 63,96 km², com eixo no rio Teles Pires, cerca de 1.200 km acima da foz do Rio dos Apiacás, e informa, a quem interessar, que no período de 45 (quarenta e cinco) dias, a contar da data de publicação deste edital, poderá ser solicitada Audiência Pública, conforme determina a resolução CONAMA no- 009, de 03 de dezembro de 1987. Para tanto, torna público que se encontram à disposição para consulta, nos locais a seguir relacionados, cópias do RIMA do referido empreendimento: IBAMA/Sede - SCEN, Trecho 2, Bloco C - CNIA, Brasília, DF; Secretaria de Estado de Meio Ambiente - SEMA/PA, Tv. Lomas Valentinas no- 2717, Marco, Belém, PA; Secretaria de Estado do Meio Ambiente - SEMA/MT, Palácio Paiaguás, Rua C, esquina com Rua F - Centro Político-Administrativo, Cuiabá, MT; Superintendência do IBAMA em Belém, PA, Av. Conselheiro Furtado no- 1303, Batista Campos, Belém, PA; Superintendência do  IBAMA em Cuiabá, MT, Av. Rubens de Mendonça no- 5350, Bairro Morada da Serra, Cuiabá, MT; Gerência Executiva do IBAMA em Sinop, MT, Rua das Castanheiras no- 1297, Sinop, MT; Escritório Regional do IBAMA em Alta Floresta, MT, Av. Ludovico da Riva Neto no- 2364, Centro, Alta Floresta, MT; Prefeitura Municipal de Jacareacanga, Av. Brigadeiro Haroldo Coimbra Veloso n º 34, Centro, Jacareacanga, PA; Prefeitura Municipal de Paranaíta, Av. Alceu Rossi s/n, Centro, Paranaíta, MT; Prefeitura Municipal de Alta Floresta, Rua U1 s/n, Canteiro Central, Alta Floresta, MT. Informo que o EIA/RIMA encontra-se disponível ao público, em meio digital, no sítio www.ibama.gov.br/licenciamento

Ibama concede licença de instalação da UHE Teles Pires


Consórcio espera iniciar obras nos próximos dias. Investimentos na usina serão de R$ 3,3 bilhões

Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Meio Ambiente 
19/08/2011
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis concedeu a licença de instalação para a hidrelétrica de Teles Pires (MT-1.820 MW), apurou a Agência CanalEnergia nesta sexta-feira, 19 de agosto. A intenção da Companhia Hidrelétrica Teles Pires é iniciar as obras nos próximos dias.
A usina Teles Pires receberá investimentos de R$ 3,3 bilhões e firmou contratos no ambiente regulado no valor de R$ 12 bilhões, que permitirá o fornecimento de 204,6 TWh durante o período de concessão. Outros 36 TWh serão destinados ao ambiente de contratação livre. Em 17 de dezembro do ano passado, a energia da usina foi contratada no leilão A-5 por R$ 58,35 por MWh. Além da Neoenergia (50,1%), a Companhia Hidrelétrica Teles Pires também tem em sua composição acionária a Eletrosul (24,5%), Furnas (24,5%) e Odebrecht (0,9%).

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

CHTP ASSINA TERMO DE COMPROMISSO COM IPHAN


O termo foi assinado para atender instrumentos normativos que dispõe o licenciamento ambiental da UHE Teles Pires
A Companhia Hidrelétrica Teles Pires (CHTP), dando andamento ao processo de licenciamento ambiental da UHE Teles Pires, localizada no Rio Teles Pires entre os Estado de Mato Grosso e Pará, foi assinado ontem 16 de agosto o termo de compromisso com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
O referido termo prevê que sejam desenvolvidos estudos arqueológicos constantes no Programa de Preservação do Patrimônio Cultural, Histórico e Arqueológico contido no Projeto Básico Ambiental (PBA) da UHE Teles Pires.
Támbem serão desenvolvidos estudos etnoarqueológicos que devem ser desenvolvidos como projeto de arqueologia colaborativa com as etnias Kayabi, Apiacá e Munduruku. Os estudos etnoarqueológicos deverão ser desenvolvidos na área de influência direta do empreendimento considerando-se, para fins de estudo, a área de significância cultural que abrange desde a divisa da terra indígena Kayabi até um ponto do rio acima.
Será feito um projeto específico para o sítio arqueológico Pedra Preta na cidade de Paranaíta, onde será elaborado projeto de conservação. Assim como, um Programa de Educação Patrimonial.
A intenção é que seja produzido conhecimento científico sobre a área, contribuindo para a ampliação do conhecimento da cultural, de forma a envolver toda a comunidade no desenvolvimento dos trabalhos, visando a contribuir na valorização e preservação do patrimônio arqueológico, histórico e cultural brasileiro

HIDRELÉTRICA TELES PIRES ASSINA TERMO DE COMPROMISSO COM MUNICÍPIO DE JACAREACANGA (PA)


Do site da UHE Teles Pires
Após assinatura com os municípios do estado do Mato Grosso, foi assinado termo com o município do estado do Pará
A Companhia Hidrelétrica Teles Pires (CHTP), responsável pela construção da Usina Hidrelétrica (UHE) Teles Pires, no rio Teles Pires entre os estados de Mato Grosso e Pará, atendendo a medidas condicionantes previstas na Licença Prévia 386/2010, assinou ontem, 14 de julho de 2011, no município de Jacareacanga (PA), o Termo de Compromisso que formaliza as ações do Programa de Reforço à Infraestrutura e aos Equipamentos Sociais (P.36).
O Programa tem como objetivo dimensionar e coordenar a gestão de medidas de apoio e reforço à infraestrutura básica do município, que será contemplado com as ações por ter parte de seu território na área de influência do empreendimento.
O município de Jacareacanga (PA) irá receber R$ 4,550 milhões em ações, obras e equipamentos, da mesma forma como foi acordado nos municípios de Paranaíta e Alta Floresta, no Mato Grosso, sendo a CHTP responsável pelos investimentos.
Participaram da solenidade de assinatura do documento o Prefeito Municipal de Jacareacanga, Raulien Oliveira de Queiroz; o Diretor Administrativo Financeiro da CHTP, José Piccolli Neto e secretários municipais de Jacareacanga.
A Companhia Hidrelétrica Teles Pires, Sociedade de Propósito Específico (SPE) tem como acionistas Neoenergia (50,1%), Eletrobras Eletrosul (24,5%), Eletrobras Furnas (24,5%) e Odebrecht Participações e Investimentos (0,9%)


MPF/PA pede paralisação das obras de Belo Monte para evitar remoção de índios, abordando o "direito da natureza"


É o primeiro processo no Judiciário brasileiro que aborda o direito da natureza, irreversivelmente afetada pelas barragens na Volta Grande do Xingu
O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) iniciou ontem, 17 de agosto, um processo judicial pedindo a paralisação das obras da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. Na ação, os procuradores da República apontam a inevitável remoção de povos indígenas – o que é vedado pela Constituição – e discutem, pela primeira vez no Judiciário brasileiro, o direito da natureza.
“Belo Monte encerra vários confrontos: entre a geração de energia hidrelétrica e os direitos indígenas; entre o interesse de empreiteiras e o direito da natureza; entre o direito ao crescimento econômico e os princípios do direito ambiental”, dizem na ação os procuradores da República Felício Pontes Jr, Ubiratan Cazetta, Bruno Valente, Daniel Avelino, Bruno Gütschow e Cláudio Terre do Amaral.
Se posicionando nesse confronto, os procuradores que acompanham o empreendimento apresentam como argumento à Justiça, pela primeira vez, o direito da natureza, violado por Belo Monte. A usina, de acordo com todos os documentos técnicos produzidos, seja pelo Ibama, pelas empreiteiras responsáveis pelos estudos, seja pela Funai, o MPF ou os cientistas que se debruçaram sobre o projeto, vai causar a morte de parte considerável da biodiversidade na região da Volta Grande do Xingu – trecho de 100km do rio que terá a vazão drasticamente reduzida para alimentar as turbinas da hidrelétrica.
Esse trecho do Xingu é considerado, por decreto do Ministério do Meio Ambiente (Portaria MMA n° 9/2007), como de importância biológica extremamente alta, pela presença de populações animais que só existem nessa área, essenciais para a segurança alimentar e para a economia dos povos da região. A vazão reduzida vai provocar diminuição de lençóis freáticos, extinção de espécies de peixes, aves e quelônios, a provável destruição da floresta aluvial e a explosão do número de insetos vetores de doenças.
“Quando os primeiros abolicionistas brasileiros proclamaram os escravos como sujeitos de direitos foram ridicularizados. No mesmo sentido foram os defensores do sufrágio universal, já no século XX. Em ambos os casos, a sociedade obteve incalculáveis ganhos. Neste século, a humanidade caminha para o reconhecimento da natureza como sujeito de direitos. A visão antropocêntrica utilitária está superada. Significa que os humanos não podem mais submeter a natureza à exploração ilimitada”, diz a ação judicial.
Para o MPF, Belo Monte representa a violação não só dos direitos dos índios, ribeirinhos e agricultores que hoje vivem no Xingu, mas viola o direito da natureza e o direito das gerações futuras ao desenvolvimento sustentável. “Belo Monte expõe o confronto entre o desenvolvimento a qualquer custo e os princípios do direito ambiental. A solução deve ser sempre em favor do último, diante do bem maior a ser preservado, que é a vida em sentido holístico. Belo Monte compromete, de maneira irreversível, a possibilidade das gerações presentes e futuras de atenderem suas próprias necessidades”, diz o MPF.
Apesar de ser um debate novo no judiciário brasileiro, o direito da natureza e das gerações futuras é objeto de pelo menos 14 convenções e tratados internacionais, todos promulgados pelo Brasil, além de estar presente na Constituição Federal. Os procuradores lembram, na ação, o compromisso com o futuro da Confederação Indígena do Iroquois, na área dos Grandes Lagos na América do Norte, que inspiraram a Constituição dos Estados Unidos. Quatro séculos atrás, as seis etnias indígenas que compunham a Confederação já afirmavam: “Em cada deliberação, devemos considerar o impacto de nossas decisões para as próximas sete gerações”.
Remoção – A ação foi oferecida na Justiça Federal de Belém e se baseia nas constatações do estudo de impacto ambiental e dos estudos antropológicos da Funai para afirmar que, por causa dos graves impactos ambientais, haverá forçosamente a remoção das populações indígenas que vivem na Volta Grande do Xingu.
Todos os documentos que embasam o licenciamento ambiental apontam para a mesma conclusão: haverá mudança drástica na cadeia alimentar e econômica das populações indígenas e a remoção se tornará inevitável. Os dois povos diretamente afetados são os Juruna da Terra Indígena Paquiçamba, na margem direita da Volta Grande e os Arara, da Terra Indígena Arara da Volta Grande, na margem esquerda.
Os povos indígenas Juruna e Arara tiveram os primeiros contatos traumáticos com não-índios na região da foz do Xingu, nos séculos XVII e XVIII. Estupros, doenças e assassinatos obrigaram as duas etnias a fugirem rio acima até a Volta Grande, onde conseguiram se estabelecer como coletores, pescadores e caçadores, exímios conhecedores do rio e da floresta. Com a implantação de Belo Monte, serão obrigados novamente a abandonar suas casas.
A própria Funai enumera os impactos de Belo Monte sobre as duas Terras Indígenas: aumento da pressão fundiária e desmatamento no entorno, meios de navegação e transporte afetados, recursos hídricos afetados, atividades econômicas – pesca, caça e coleta afetadas, estímulo à migração indígena (da terra indígena para núcleos urbanos), aumento da vulnerabilidade da organização social, aumento das doenças infectocontagiosas e zoonoses.
Para o MPF, está claro que a destruição dos ecossistemas da Volta Grande e as pressões causadas pelo fluxo migratório vão inviabilizar a permanência dos índios em suas terras, o que é expressamente vedado pela Constituição brasileira no artigo 231: “É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, ad referendum do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco”.
Como não está configurado interesse da soberania nacional nesse empreendimento, o MPF pede a paralisação das obras e a suspensão do projeto. Caso esse pedido não seja concedido, como reparação, os procuradores pedem que a Norte Energia seja obrigada a indenizar os povos indígenas Arara e Juruna e os ribeirinhos da Volta Grande do Xingu, pelos impactos e perda da biodiversidade, em valor que ainda deverá ser apurado.
O processo tramita na 9ª Vara da Justiça Federal em Belém, com o número 0028944-98.2011.4.01.3900.
Veja a íntegra da ação aqui.

Fonte: Ministério Público Federal no Pará

Obrigada, Ana, pela dica!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Alguém conhece?


A Conservação Estratégica gostaria de convidá-lo(a) a participar do lançamento da ferramenta Hidrocalculadora - HCT 2.0 em Brasília no dia 30 de agosto 2011.
A HCT é uma ferramenta on-line gratuita que permite a análise rápida e simplificada da viabilidade econômica de projetos hidrelétricos com considerações a externalidades ambientais e sociais e pode ser acessada em: http://conservation-strategy.org/pt/hydrocalculator-analyses.


Detalhes sobre a oficina e seu programa:
http://conservation-strategy.org/en/course/economia-de-usinas-hidroel%C3%A9ctricasIncrição:
Mônica Rocha
Assistente Adm.-Financeiro
Conservação Estratégica - CSF